quarta-feira, 16 de junho de 2010

TRAFICANTES DE DROGAS PROIBIDAS


Fiquei surprendido ao ver sumidades nas áreas do Direito, Jornalismo, Análise de Eventos, etc. na televisão, jornais e revistas aqui da praça, a falarem, comentarem quer por escrito, quer por comentários gravados ou em directo nas rádios ou televisões, acerca da inclusão do nome de 3 empresas mocambicanas, todas elas propriedade em 100% de M. Bachir Sulemane cidadão moçambicano, Presidente da Comunidade Islâmica, militante públicamente assumido do Partido Frelimo no poder em Moçambique e um dos grandes senão o maior doador de fundos para campanhas eleitorais daquele partido, para além de ser amigo pessoal do Presidente do Partido e também da República em Moçambique Armando Emílio Guebuza.
As empresas nomeadas foram:
(762) Grupo MBS - Kayum Centre;
(763) Grupo MBS Limitada;
(764) Maputo Shopping Centre.
À excepção de Marcelo Mosse do CIP, que assinou um excelente e completo artigo de opinião sobre o assunto, amplamente divulgado quer em Moçambique quer no estrangeiro, todos os outros mencionaram, a meu ver erradamente: “citação” acusação dos americanos “fim de citação” e alguns conhecidos por simpatizarem mais com a Frelimo, mencionaram: “citação” presunção de inocência de Bachir e provas que fundamentam a dita acusação dos Estados Unidos “Fim de Citação.
O “Foreign Narcotics Kingpin Designation Act” é uma Lei americana, que existe desde 3 de Dezembro de 1999 e tem o objectivo de nomear as pessoas ou empresas ou instituições, de qualquer tipo ou qualquer nacionalidade, que no entender dos Estados Unidos estejam envolvidas no tráfico de drogas proibidas a nível global, com base em informações recolhidas pelas seguintes instituições americanas: “Secretary of Treasury” em consulta com: “Attorney General”, “The Director of the CIA”, “The Director of the FBI”, “The Administrator of the Drug Enforcement Administration”, “The Secretary of Defense” e “The Secretary of State”.
Para a dita nomeação é apenas necessário que o nomeado (SDNTK) satisfaça um dos três simples e directos critérios a saber:
(1) Assistir materialmente ou prover apoio financeiro ou tecnológico para, ou a, fornecimento de mercadorias ou serviços em apoio a actividades de tráfico internacional de drogas a uma pessoa ou empresa nomeada nos termos do “Kingpin Act”.
(2) Ser proprietário, controlar ou dirigir ou actuar para, ou em vez de, para pessoa ou empresa nomeada nos termos do “Kingpin Act”.
(3) O nomeado (STDNTK) ter uma participação ou tarefa significativa no tráfico internacional de drogas proibidas.
Como Lei americana que é o “Kingpin Act” apenas tem valor jurídico e é de cumprimento obrigatório dentro e fora do espaço territorial dos Estados Unidos da América pelos cidadãos, empresas e instituições de qualquer tipo, daquela nacionalidade, que exerçam qualquer tipo de actividade em qualquer ponto do planeta Terra. Assim entidades individuais ou colectivas americanas ficam proibidas por esta Lei de ter qualquer tipo de transação ou negócio imobiliário com um nomeado (SDNTK) nos termos do “Kingpin Act”. Especial enfâse também é dada à proibição de transações comerciais, em bolsa, títulos e quaisquer outros bens materiais. Para além disto o nomeado (SDNTK) terá todos os bens ou contas bancárias que possuir em instituições financeiras americanas ou no espaço territorial americano congelados ou confiscados a favor do Estado Americano.
Entidade individual ou colectiva americana que viole esta Lei sujeita - a multas que vão desde um milhão e setenta e cinco mil a 30 milhões de dólares norte americanos e a penas de prisão para indivíduos ou gestores que variam de 5 a 30 anos de prisão.
O primeiro nomeado (SDNTK) nos termos do “Kingpin Act” foi (1) Jose de Jesus Amezcua-Contreras em documento assinado pelo Presidente dos Estados Unidos em 1 de Junho de 2000 e de lá até 1 de Junho de 2010, 760 outras entidades individuais e colectivas foram nomeadas (SDNTK) em sucessivos despachos assinados pelos sucessivos Presidentes dos Estados Unidos em exercício, antes de M. Bachir Sulemane, a que coube o número (762), para a primeira das suas empresas.
Os Estados Unidos da América, acham que esta Lei desde a data que está em vigor, tem sido uma excelente “ferramenta planetária” que contribui decisivamente para a redução do tráfico internacional de drogas, devido essencialmente à forma completamente aberta em que a informação é publicada e impede que traficantes de drogas internacionais, sejam proprietários de bens imóveis ou móveis em quantidades significativas em território geográfico americano, sob o risco de um dia para o outro os perderem.
Pelo atrás exposto verifica - se portanto que não se trata de uma ACUSAÇÃO contra o empresário moçambicano, mas sim uma RECOMENDAÇÃO com força de Lei para cumprimento obrigatório por cidadãos, empresas e instituições americanas. Por isso não sendo uma acusação, os Estados Unidos da América não são obrigados a apresentar provas da nomeação, contudo nas horas mais recentes a Embaixada Americana em Maputo fez saber que se M. Bachir Sulemane quiser, o “Secretary of Treasury” divulga as provas que fundamentam a sua nomeação, (SDNTK) mas não em gabinetes alcatifados, com música de fundo, ar condicionado e secretária atraente muito competente com saia ou calça apertada, mas óbviamente à americana, ou seja públicamente ou não fossem os americanos os inventores da Internet.
Observador Atento

VILA OLÍMPICA E PONTE DA CATEMBE


A construção de qualquer tipo de infra estructura em um país como Moçambique, é óbviamente, em termos gerais, muito bem vinda, contudo dado os escassos recursos financeiros disponíveis é necessário priorizá - los, usando os critérios mais adequados para tornar mais eficientes os investimentos para os respectivos investidores, sejam eles Estado ou privado, nacional ou estrangeiro. Contudo os acontecimentos no terreno dão a indicação que o Governo Moçambicano do dia, não parece estar a gerir os critérios de investimento, muito bem. Senão vejamos no princípio da legislatura anterior (2005 a 2009) apostou - se na construção de um estádio nacional e de um novo aeroporto para a cidade de Maputo como componentes essenciais de um programa de boas vindas aos potenciais turistas do Campeonato Mundial de Futebol de 2010, no país vizinho, que eventualmente decidissem por aqui dar umas voltas. Com financiamento chinês, nem uma nem outra das mencionadas infra - estructuras, estão prontas, a menos de 30 dias do início da aludida competição, nem nenhuma das 32 selecções que nele vão participar, escolheu Moçambique (incluíndo a de Portugal que é dirigida por um cidadão nascido em Moçambique) para pré estagiar, nem tão pouco a cidade apresenta um aspecto limpo, uma vez que resíduos sólidos gerados pela vivência normal das pessoas, continuam espalhados nas ruas tantos urbanas como periféricas, devido a um ineficiente sistema de recolha de lixo, apesar de os residentes pagarem uma taxa de recolha de lixo, que óbviamente é desviada pelo próprio Conselho Municipal para outros fins, à revelia dos municípes. Entretanto as infra estructuras antigas como a rede de esgotos, estradas, ruas, passeios e outras continuam a deteriorar - se, faltando apenas saber quando é que um dos prédios de mais ou menos de 10 andares, com fundações e vigas corroídas pelas infiltrações tanto de água limpa como negra das próprias tubagens, irá ruir com os residentes e visitantes no seu interior, uma vez que a manutenção períodica a estas infra - estructuras continuam a ser sistemáticamente ignoradas pelas autoridades competentes.
Na presente legislatura (2010 a 2014) apesar de tão clamorosas falhas de planeamento dos exemplos citados e na sequência de recente visita oficial de Guebuza a Portugal, ficamos a saber que será Portugal a ajudar a financiar a construção da Vila Olímpica (1028 Apartamentos do tipo 3, área de lazer, supermercado etc.) e a construção da ponte ligando Maputo à Catembe. Só que nas semanas que se seguiram à visita a economia portuguesa perdeu muita da sua credibilidade internacional, e foi obrigada a alinhar com outros parceiros da zona Euro para salvar a moeda única depois de em anos anteriores os governos da Grécia, Espanha, Portugal e outros terem acumulado grandes défices orçamentais, acima dos acordados 3% na União Europeia, por terem dado a consumir aos respectivos cidadãos, aquilo que não deviam ter dado, através de empréstimos internacionais que contraíram e que agora tem de ser pagos e outras despesas. No passado sem Euro moeda única, este tipo de situação seria resolvida com uma desvalorização do Escudo, Dracma ou Peseta, mas agora “Madame Merkel” e “Monsieur Sarkozy” impediram que se fizesse o mesmo ao Euro, pelo que os cidadãos dos países com défices mais elevados terão mesmo de devolver aos respectivos Estados, sob a forma de aumento de impostos do lado da receita ou contenção rigorosa dos gastos do Estado, do lado da despesa, aquilo que não deveriam ter consumido.
A aldeia olimpíca é fruto de um compromisso megalómano, característico da governação guebuziana, que em 2008 ou 2009, decidiu hospedar e organizar os Jogos Pan Africanos a começarem em Setembro de 2011, em substituição da Zâmbia, que abandonou a ideia. Formou - se um Comité Organizador, cujo líder foi precocemente substituído em um processo pouco transparente, fizeram - se inúmeras reuniões, seminários e atribuiu- se perto do Estádio Nacional, ora ainda em construção o terreno para a construção da aldeia olímpica, que Guebuza já visitou em 2010. Quanto ao início das obras está previsto para 1 de Junho de 2010, contra o custo de 144 milhões de dólares americanos a serem financiados pelos Estados português e moçambicano, pelo empreiteiro Mota Engil, uma empresa próxima ao Partido Socialista em Portugal, através da qual muito do financiamento português retornará a Portugal, para além de durante o período de execução da obra haver uns empregos com facilidades tropicais, disponíveis para os membros da tribo de Viriato.
A ponte para a Catembe é um projecto cuja ideia original data do período colonial inspirada na antiga Ponte Salazar, hoje 25 de Abril, que atravessa o Tejo em Lisboa. Se construída, substituirá as actuais ligações precárias, feitas por uma empresa pública já em falência técnica, (Transmaritíma) com barcos para transporte de viaturas e pessoas e dará acesso directo ao outro lado da baía de Maputo, onde actualmente por estrada só se chega depois de percorrer 30 quilómetros, uma vez que o lado de lá da Baía de Maputo é uma península e não uma ilha. Ao presente, a ponte uma vez construída, mais uma vez pela Mota Engil, dará acesso ao local onde foi construído o palácio do Estado, (Praia dos Amores) destinado ao uso de ex - Presidente(s) da República, à futura estrada asfaltada até à Ponta do Ouro, belíssima praia mais Sul - Africana que Moçambicana e ao novo edifício da Assembleia da República e respectiva cidadela parlamentar (para hospedar os Deputados) a construir de raiz e abrirá à especulação imobiliária, uma vasta área à beira - mar, prácticamente virgem, que certamente contribuirá para membros da élite politíco partidária e empresarial que antes e durante a construção da ponte, obtiveram os respectivos DUAT’s (Direito de Uso e Aproveitamento de Terra) por um preço simbólico enriqueçam rápidamente, vendendo - os a interessados, a preço de mercado internacional.
Face à actual situação de ”crise”, na economia portuguesa, derivada de um défice orçamental muito superior ao acordado, que pôem em causa a estabilidade da moeda única, o Euro, com apelos ao patriotismo do partido politíco com maioria relativa de esquerda (PS) calma, do centro direita (PSD), oposição, da direita (CDS-PP) e manifestação de rua e greve mais à esquerda (BE e PCP), a por demais escalpelizada situação da economia portuguesa, pela comunicação social em debates, opiniões de especialistas e reportagens, quer internacional quer portuguesa. Ora bem, sabendo - se que Portugal, Parceiro de Apoio Programático (PAP) do Orçamento do Estado Moçambicano de 2010, (G-19), está já atrasado no desembolso de fundos para cobrir o défice do Orçamento Moçambicano, como país de brandos costumes que é, será que adicionalmente vai ter fundos para financiar a Aldeia Olimpíca antes de 2011? E em data possível de ser adiada, também para a ponte para a Catembe? Têm a palavra os respectivos povos, representados pelos respectivos governos!
Observador Atento

quarta-feira, 5 de maio de 2010

DISCURSO DE TOMADA DE POSSE COMO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE




Em Março de 2010, a RDP África através do programa Grande Manhã, que geralmente vai para o ar de Segunda a Sexta - Feira, lançou um concurso onde qualquer dos seus ouvintes, simulando ter sido eleito para o maior cargo público da nação onde residisse, escrevesse um discurso de tomada de posse como Presidente da República. Candidatava - se a ganhar um prémio, traduzido em um livro de José Maria Tavares intitulado QUEM NÃO SE CONFORMA ENCONTRA FORMAS - O PODER DO OPTIMISMO.
O discurso (obra de ficção) que poderá ler a seguir foi um dos 6 premiados entre inúmeros discursos submetidos, conforme em tempo oportuno foi anunciado peloo júri do concurso (João Pedro Martins e Ana Jordão). Boa leitura!


Excelentissímos Chefes de Estado e de Governo estrangeiros a esta cerimónia convidados;
Excelentissíma Presidente da Assembleia da República;
Excelentissímo Presidente do Tribunal Supremo;
Excelentissímos Membros do Corpo Diplomático acreditado em Moçambique;
Caros compatriotas:

É com muita honra que daqui desta tribuna, para a qual fui eleito com o apoio do Partido XYZ, e os votos de milhões de eleitores do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Oceano Indíco, me dirijo pela primeira vez a todos vós, após tomar posse como Presidente da República de Moçambique, o primeiro, depois de 35 anos de governação hegemónica da Frelimo, onde a situação económica e a debilidade da segurança das pessoas, por via do aumento da criminalidade e outros mal estares, exigem franqueza, honestidade e trabalho em vez de manipulação, dissimulação e fingimento que caracterizou a governação daquele partido. Por isso vivemos uma realidade difícil das famílias e das pessoas, com um galopante aumento de custo de vida, dos produtos de primeira necessidade, desvalorização da moeda nacional face às estrangeiras de referência em uma Nação pedinte, carente e com excesso de insegurança (alimentar, sanitária, habitacional, social, educacional, infra - estrutural, etc.). Moçambique nunca será um país viável, com sustentabilidade duradoira, enquanto os anteriores líderes da Frelimo fingiam que a economia nacional progredia e estava de boa saúde, enquanto eles e as respectivas famílias enriqueciam escandalosamente, como se o país fosse propriedade privada deles. Moçambique vai a partir de agora ter uma liderança política e governamental muito diferente da anterior, que se caracterizará por primeiro olhar para o país real com honestidade e franqueza, e servir aqueles que queiram trabalhar e punir os que não queiram cumprir as regras e leis da sociedade em que vivemos, devendo o partido a que pertenço assumir as suas novas responsabilidades, agora que é governo, na sociedade moçambicana. Os desafios a enfrentar são muitos, mas estão ao nosso alcance porque:
Ao vencer também as eleições legislativas o partido XYZ, obteve uma maioria absoluta na Assembleia da República graças também ao voto de milhões de moçambicanos e moçambicanas, que pela primeira vez em toda a África Austral, confiaram os destinos da governação neste país a um partido político que não participou em qualquer luta de libertação e constituiu-se juridícamente, depois da independência de Moçambique. Assim sendo neste discurso no qual procurarei definir as linhas gerais da governação que pretendo implementar, através do que adiante definirei como áreas de intervenção, satisfazendo o conteúdo do programa eleitoral que divulguei, defendi e prometi ao longo da campanha eleitoral, as quais implicarão algumas mudanças constitucionais de vulto, que terão lugar ao longo do meu mandato de 5 anos, depois de aprovadas pela Assembleia da República.
Primeiro - Ministro: O titular deste cargo, que continuará a ser por mim nomeado, coordenará toda a acção governativa dos Ministros, e terá poderes mais amplos para exercer as suas funções de uma maneira mais expedita, eficiente e determinante, daquilo que tem vindo a ser feito até aqui, de maneira a que o poder decisório do governo seja mais rápido, eficiente e atempado quando circunstâncias extraordinárias ocorrerem, como ao longo do mandato se espera que ocorram.
A área de intervenção dos Assuntos Parlamentares manter-se-á como Ministério, pois é essencial uma estrutura deste tipo para manter a comunicação, diálogo e interacção entre o mim chefe do governo e a bancada parlamentar, não só do Partido XYZ, mas também das bancadas da oposição, contribuindo assim para uma governação mais inclusiva, particularmente quando ideias ou sugestões dos partidos da oposição, puderem ser enquadradas, nas ideias que temos para a maneira como a nossa governação será implementada.
A área de intervenção dos Assuntos da Casa Civil e dos Assuntos Sociais deixarão de ser Ministérios e passarão a ser Direcções Nacionais, o que nos permitirá reduzir significamente as despesas com estes até agora Ministérios e por consequência fazer passar à práctica e à percepção do cidadão comum o comando válido para todos os níveis de governação a partir de agora, de que é necessário reduzir a despesa pública. Como diz o ditado “o exemplo vêm de cima”.
No que diz respeito à área de intervenção dos Negócios Estrangeiros e Cooperação manter - se - á com a estrutura actual dado o papel que desempenha, no diálogo com os países e organizações doadoras estrangeiras, que contribuem com cerca de 50% dos fundos do nosso Orçamento do Estado, mas será óbviamente responsável por uma acção mais interventiva no terreno, nos países onde as nossas embaixadas estiverem acreditadas no sentido de prestarem assistência aos cidadãos nacionais que lá residem quer permanente quer temporáriamente ou em visita, facto que não acontece até aqui, ou apenas acontece, quando a comunicação social se interessa pelo caso de um cidadão nacional no estrangeiro desprotegido ou sem recursos ou seja da Frelimo, antes partido governamental. A nossa diplomacia externa não sofrerá qualquer mudança. Somos, como desde a Independência Nacional a favor do estabelecimento de relações diplomáticas com todo e qualquer país, baseados no princípio recíproco de não ingerência nos assuntos internos de cada um.
A área de intervenção da Defesa nacional implicará ao nível de oficiais do topo, a total despartidarização, a começar pelos currículos ensinados na Academia Militar Samora Machel em Nampula e o acérrimo combate à corrupção interna e prominiscuidade com o crime organizado, ora existente, que se traduz entre outros, na falta de contrôle de armamento distribuído aos membros das forças armadas e o subsequente aluguer de tais armas a bandidos, que executam assaltos à mão armada, dividindo o produto do roubo com quem lhes alugou a arma. Assim passarão à reserva todos os oficiais generais e superiores que estejam filiados em qualquer partido político e serão substítuidos por outros militares que dominem com competência estratégias militares, logistíca e outros assuntos de natureza militar, que uma nação como a nossa precisa. A execução orçamental das despesas e receitas desta área, deverá também merecer atenção redobrada, pois são frequentes os excessos, com total impunidade das hierarquias militares superiores que os cometeram. O Serviço Militar Obrigatório será abolido e substituído pelo Serviço Voluntário através de acções de promoção contínuas junto dos jovens, no sentido de os atrair para servirem no Exército, Marinha ou Força Aérea, com contractos a longo prazo, em troca de formação de todos os níveis incluíndo superior, mestrado e doutoramento, de acordo com as necessidades dos respectivos serviços militares a que pertencerem, que devem ser potenciados para executarem também missões de paz, quer domésticas quer regionais ou internacionais, com alto nível profissional. Haverá uma redução das verbas atribuídas à Defesa no próximo Orçamento do Estado, que serão transferidas para a Saúde e Educação. A Marinha de Guerra e a Força Aérea devem procurar com o apoio da comunidade internacional, operar navios próprios, e aviões de pesquisa equipados com radar, para numa primeira prioridade patrulhar às águas territoriais moçambicanas, e acabar com os desmandos de barcos estrangeiros, que sem qualquer comunicação dedicam - se a actividades ilegais. O Presidente da República manterá o cargo de Comandante em Chefe das Forças Armadas.
A área de intervenção do Interior ao nível de oficiais do topo, terá também de ser despartidarizada, a começar também pelos currículos da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) de Matalane, a corrupção interna acérrimamente combatida e a rivalidade com os seus pares do exército, marinha e força aérea terminada. Estas más prácticas, nunca antes corrigidas, traduzem - se também em conluio manifestamente existente entre oficias superiores da polícia e o crime organizado, como provam os assassinatos de membros da polícia à queima roupa nos últimos anos, cujos os autores nunca foram descobertos e muito menos levados a tribunal. O aluguer de armas a bandidos, que assim garantem a respectiva impunidade dos actos criminosos que cometem é má práctica a ser combatida. Os diversos níveis de comando do topo à base das diversas polícias existentes nomeadamente de Intervenção Rápida, de Protecção e de Trânsito instruídas no sentido de realmente combaterem o crime e fiscalizarem o trânsito com integridade honestidade e eficiência, eliminando - se dos currículos de formação profissional de todos os tipos de polícia, a forma e maneira actualmente usada, de que a violência física e verbal é a única maneira de fazer valer a Lei e Ordem a cidadãos por qualquer motivo recalcitrantes. A proveniência dos artigos à venda nos mercados informais um pouco por todas as cidades, vilas e bairros deste país, deve ser provada pelos vendedores, como legal às autoridades competentes, pois estes mercados fazem elevar dramáticamente as taxas de criminalidade, uma vez que vendem artigos roubados frequentemente, tornando atractivo por todas as cidades, vilas e bairros o pequeno furto, cujo produto é fácilmente transformado em dinheiro. Os laboratórios de criminalística devem ser postos a funcionar, com o adequado aprovisionamento de consumíveis necessários, com vista a aprimorar a investigação policial e produzir provas para serem presentes em tribunal, com bases científicas, em vez de utilizar os metódos actuais baseados em informações de criminosos sobre outros criminosos o que cria prominiscuidade entre polícias e ladrões, tortura de suspeitos, que posteriormente, com frequência, verifica - se nada terem a ver com o crime investigado. Recorreremos a formação profissional de países amigos que tenham as caracteristícas requeridas da formação policial adequada. A Polícia Judiciária pela natureza das suas funções passará a ser tutelada pelo Ministério da Justiça sob a alçada do Ministério Público que assim passará a ter um meio directo para investigar qualquer tipo de crime, de quem quer que seja suspeito, sem a burocracia e lentidão que a caracterizava, quando no mandato do meu antecessor era gerida sob a tutela da área de intervenção do Interior.
A área de intervenção das Finanças para além de elaborar o Orçamento Geral do Estado e o Plano Económico e Social (PES) e monitorar rigorosamente ao longo do ano a execução orçamental e a implementação do plano, deverá apresentar ao Primeiro - Ministro sugestões concretas para a redução da despesa pública em todos os sectores a começar drásticamente pela compra de ora avante viaturas protocolares ou não, até ao máximo de 1.600 c.c. de cilindrada, desde que para serviço do Estado. Só cumprindo regulamento adequado, a ser criado, 4X4’s serão adquiridos para os serviços do Estado que para a execução das suas actividades manifestamente deste tipo de veículo, necessitem. Desta maneira só em combustíveis pouparemos valores muito elevados. Venda de património imobiliário do Estado, que não esteja a ser devidamente usado será feita por forma a aumentar as receitas do Estado, transmitindo aos nossos concidadãos e à comunidade doadora (Banco Mundial, G-19 etc.), a mensagem de que estamos empenhados em reduzir o nosso défice orçamental, actualmente coberto em 50% pelos vários doadores. O líder desta área deverá ainda usar todos os meios legais à sua disposição para cobrar aos devedores do Tesouro Público, quase todos membros do Partido Frelimo os valores em divída que lhes foram concedidos, há mais de 15 anos atrás, que nunca foram cobrados por manifesta influência política dos membros do Partido que governou antes este país consecutivamente por mais de 35 anos, e ainda outros fundos públicos onde o retorno do capital obtido a custo zero “sacado” do Tesouro Público, Bancos do Estado e outras instituições públicas, seja o dobro do investimento, para no mais curto espaço de tempo, satisfazer novas necessidades e gostos pessoais sofisticados, que entretanto elas e familiares mais chegados adquiriram, atribuindo ou dando “migalhas” da riqueza fraudulentamente gerada que possuem, às gerações mais novas, em troca da respectiva fidelidade canina de ser “bom” rapaz ou “boa” rapariga. Estudos devem ser feitos para viabilizar a redução do IVA de 17% para 14% em linha com os valores cobrados por outros países na África Austral com vista a uma harmonização fiscal na SADC para onde caminhamos nesta e em muitas outras áreas, com vista a dinamizar o crescimento da economia nacional. O alargamento da base tributária nacional, sempre adiado pela governação anterior por motivos sociais ou eleitorais, têm de progredir a começar pela implementação do ISPC já existente, que tem de ser modificado para reflectir o país real e não para impressionar os doadores, como a legislação actualmente existente demonstrou, ao ser sucessivamente adiada a respectiva implementação. Esforços concretos devem ser feitos para remover no sistema financeiro, inseguranças que elevam a taxa de juro practicada por bancos comerciais em empréstimos. Nomeadamente: A fiabilidade de certidões de propriedade de imóveis, veículos e outros bens susceptíveis de servirem como garantia de empréstimos, dada a quantidade deste tipo de documentos falsos que com relativa facilidade de obtêm, quer acreditem ou não emitidos por Conservatórias, orgãos do Estado, através de corrupção dos respectivos funcionários e a morosidade processual dos tribunais, em penhorar bens de quem deve dinheiro a outrem, e não paga.
A área de intervenção da Planificação e Desenvolvimento, terá os seus recursos materiais e humanos reforçados, pois é necessário que o desenvolvimento económico de Moçambique, seja correcta e devidamente planificado, para que a respectiva implementação possa benefeciar, no mais curto espaço de tempo que fôr humanamente possível, toda a população independentemente da respectiva filiação partidária, deixando de beneficiar uma élite político partidária, cada vez mais rica, pertencente única e exclusivamente ao partido Frelimo, que perdeu as últimas eleições presidenciais e legislativas. Rever profundamente a forma como o Orçamento de Investimento Local (OIL) é atribuído, despartidarizando as anteriores atribuições e passando a atribuir, a quem realmente tem capacidade técnico profissional ou conhecimentos para desempenhar uma qualquer actividade produtiva geradora de emprego, a nível distrital, nos 128 distritos do país deve passar a ser o novo critério de atribuição. Cobrar coercivamente de acordo com os meios legais existentes os devedores que não reembolsarm os fundos atribuídos independentemente da respectiva filiação partidária passa a ser uma orientação de cumprimento obrigatório. Como um dos principais interlocutores, em conjunto com as áreas de intervenção das Finanças e Negócios Estrangeiros e Cooperação, das relações com o grupo de organizações e países estrangeiros que doam fundos directamente para o Orçamento do Estado, deverá o líder desta área de intervenção, encontrar meios para divulgar ao público em geral através da comunicação social periódicamente, quaisquer dificuldades, porquês ou sucessos que este relacionamento enfrente no seu curso normal, de uma maneira aberta e transparente, por forma a dar ao cidadão comum informação concreta acerca do esforço financeiro que os povos desses países, através dos respectivos governos fazem para contribuir para o desenvolvimento de Moçambique. Creio que com um maior conhecimento do cidadão comum sobre este relacionamento sensível, e menos secretismo, como acontecia na governação da Frelimo, será motivo dinamizador para todos os cidadãos nacionais, procurarem através das respectivas actividades productivas um maior empenho, com vista a reduzir essa dependência paulatinamente.
As áreas de intervenção da Administração Estatal e Função Pública serão fundidas em uma só, pois na governação da Frelimo, mais não fizeram do que copiar o trabalho que o outro fazia e vice - versa, com o correspondente desperdício de fundos do erário público. Com a poupança resultante, poderá a área de intervenção das Finanças, promover a distribuição para outros sectores mais carenciados do respectivo executivo governamental. Por outro lado a tutela de todos os funcionários públicos, deverá ser capaz de apresentar sugestões criativas em forma de legislação efectiva, para que nenhum funcionário público qualquer que seja o seu nível execute trabalho em outras instituições públicas ou privadas, por forma a terminar com a práctica corrente de muitos funcionários públicos, sobretudo dos escalões dos académicamente mais qualificados receberem dois ou três salários de um mesmo número de instituições, para quem trabalham. Espera - se um melhor desempenho profissional dos abrangidos por esta medida. A questão da assistência médica e medicamentosa a todos os funcionários públicos, que para o efeito descontam um pequeno valor no respectivo salário, deve ser aplicada a todos os níveis, para que todos beneficiem nas unidades sanitárias públicas no país e não sistemáticamente adiada, como tem sido nos últimos 35 anos. A assistência médica e medicamentosa no estrangeiro a a diversos níveis superiores de funcionários do Estado tem de ser revista e se possível terminada, uma vez que consome consideráveis recursos financeiros com o benefício de uma minoria, que é exactamente aquela que tem os salários mais altos. Outro aspecto não menos relevante a merecer profunda revisão e mudanças será a origem dos fundos das pensões dos funcionários públicos, que actualmente provêm das despesas correntes do Estado, o que é manifestamente um erro financeiro grave. Legislação adequada criando Fundo de Pensões, independentes das contas correntes do Estado tem de ser criada, aprovada e implementada pelo titular desta área de intervenção. Critérios de quem tem direito à reforma devem ser amplamente divulgados e aplicados com total equidade a todos os funcionários públicos sem qualquer excepção, independentemente da hierarquia, terminando - se com aquilo a que chamo reformas “douradas” através de pedaços de legislação aprovada à sucapa, de ex-ministros, ex-deputados e outros ex-dirigentes superiores do Estado, que benefeciam de esquemas de segurança social especiais, só a eles aplicáveis e que não são sequer publicados ou conhecidos pelo público em geral. Específicamente ao líder desta área de intervenção caberá a responsabilidade de terminar com a existência de comités de qualquer partido político no aparelho de estado, que será totalmente banida, uma vez que se espera que os funcionários do maior empregador no país, convivam e melhorem o seu desempenho profissional, sem qualquer influência político partidária, no respectivos locais de trabalho. Ao eternamente adiado Sindicato a Função Pública, deve ser dada a luz verde para a sua constituição legal, confome preconiza a legislação existente, nunca implementada pela governação da Frelimo, dada as constantes irregularidades existentes. A autarquização do país deverá ser profundamente revista, e provávelmente reduzida, dependendo dos resultados da revisão, pois são inúmeros os Munícipios cujos orçamentos são deficitários, por não conseguirem gerar receitas suficientes, dependendo por isso em grande medida, dos subsídios do governo central, fruto por parte da governação anterior, de uma “rapidez manipulada” de criação de Munícipios, baseada em critérios puramente políticos e locais, destinados a atribuir aos militantes e simpatizantes da Frelimo, em um qualquer município ora criado, regalias e salários à custa do Estado, quando eleitos para presidente e nomeados para vereadores, sem qualquer responsabilidade ou trabalho sério.
A área de intervenção da Agricultura deverá prôpor legislação para terminar com a falsa realidade existente de que a terra é do Estado em Moçambique, e que não pode ser comercialmente transacionada, quando a realidade no dia a dia, prova que o é, até por membros seniores do outrora partido no poder, ainda que ilegalmente, perante a passividade total das autoridades competentes. Os detentores de Direito de Uso e Atribuição de Terra (DUAT) deverão ver transformados esses títulos em propriedade privada, devendo às áreas de terreno a que disserem respeito ser desenvolvida e usada para o fim que o requerente a solicitou, dentro de prazos definidos na legislação existente. Estes novos títulos de propriedade devem poder passar a ser garantia de empréstimos bancários, uma vez que o não são até aqui, para promover o crescimento rápido da agricultura familiar ou industrial e consequentemente também atrair investidores privados nacionais e estrangeiros não só para a agricultura mas também para a indústria de processamento de produtos agrícolas, adicionando - lhes mais valia, o que contribuiu para o aumento a produção do país. O país continua a importar vegetais e outros produtos agrícolas, por ser incapaz de os produzir, uma vez que não consegue reter água em diques e regadios em qualquer dos 60 rios, que cruzam e desaguam na nossa costa, o que prova que as políticas de incentivo à produção agrícola, até aqui seguidas pela governação da Frelimo, não são as mais correctas. Pelo que devem merecer revisão com carácter prioritário, para se inverter a situação. Paralelamente deve avaliar com integridade, transparência e honestidade quaisquer projectos de investidores estrangeiros que se proponham investir em mega projectos agrícolas. Legislação para cumprir deve existir, se ainda não existe, a garantir o direito de indeminização ou o que fôr aplicável incluíndo remoção de campas de antepassados de populações locais de terras a ocupar por investidores agro - industriais. A gestão das florestas deve também merecer a atenção do titular desta área de intervenção, por forma a acabar com a actual exploração desenfreada por empresas cujos accionistas são sociedades comerciais entre membros do partido Frelimo e estrangeiros, que delapidam sem qualquer sustentabilidade ambiental os nossos recursos florestais, com inpunidade à revelia de legislação existente.
A área de intervenção das Pescas em vez de priorizar em resolver (e mal) os problemas que grandes armadores industriais estrangeiros lhe apresentam, deve procurar primeiro entender os problemas dos pescadores artesanais e passo a passo prestar - lhes a assistência de que necessitam, para gradualmente irem crescendo e quem sabe transformarem - se em pescadores industriais. O titular desta área de intervenção, deve prôpor legislação concreta para que os armadores de pesca industrial nacionais ou estrangeiros, cujas sociedades comerciais sejam de Direito Moçambicano possam beneficiar em qualquer porto do País de abastecimento de gasóleo aos respectivos navios totalmente isento de direitos e outros emolumentos alfandegários, para que através do custo mais baixo do combustível, possam competir com outros armadores da região austral de África e baixar o custo da captura do pescado que exportam, tornando - o mais competitivo internacionalmente. Por outro lado com a essencial ajuda da comunidade internacional, deve potenciar a existência de meios de inspecção em alto mar dos armadores industriais estrangeiros e nacionais, usando navios ou barcos próprios e abandonar o presente metódo de colocar o fiscal a bordo do navio do armador industrial a ser fiscalizado, onde óbviamente está sujeito a ser pressionado a aprovar pescado capturado, que é suposto às vezes de não ser aprovado. Investimento estrangeiro em indústria de processamento de produtos pesqueiros certificada por padrões da União Europeia, para garantir a exportação para aquele mercado, deve ser acarinhada, com incentivos fiscais, em trabalho conjunto com a área de intervenção das Finanças, através da concessão de incentivos fiscais.
A área de intervenção da Indústria e Comércio, deve simplesmente assumir um papel regulador e identificar aquelas pequenas e médias indústrias, que não necessitem de muita tecnologia, mas de mão de obra intensiva, capazes de transformar ou produzir produtos nacionais, para que possam benefeciar de isenção de direitos a 100%, através de um processo expedito, nas matérias primas, de que necessitarem, independentemente da produção ser destinada ao mercado nacional ou exportação. Desta maneira cria - se emprego e produz - se ou adiciona - se valor a produtos nacionais que podem ser vendidos a preços competitivos em relação aos importados, tanto no mercado interno como externo. Outro desafio que o titular desta área de intervenção deve criativamente tentar resolver é o crescimento desordenado do mercado de comércio informal, curiosamente tanto nas cidades como nas zonas rurais, que paga poucos ou nenhuns impostos e concorre deslealmente com o comércio formal. Os comerciantes informais devem pagar impostos e a sua actividade deve ser regulada e disciplinada (como sucede por exemplo na África do Sul) para evitar ocupação desordenada dos passeios nas cidades e bermas das estradas nas zonas rurais. Metódos informáticos sofisticados devem ser introduzidos para tornar o licenciamento de novos estabelecimentos comerciais ou indústriais mais rápido eficiente e sem burocracia, através de um balcão único de licenciamento, para contribuir para alavancar o desenvolvimento do país, através do sector comercial privado.
A área de intervenção da Energia deve começar por estudar a viabilização no mais curto espaço de tempo possível, da descida das tarifas de energia eléctrica, com especial atenção nos consumidores em território nacional de baixa tensão. Afinal Cahora Bassa é nossa e os cidadãos moçambicanos devem por isso ser os primeiros a sentir no seu bolso que o nosso país é realmente um grande produtor e exportador de energia eléctrica para a região austral do continente. A questão da dívida do Zimbabwe, por energia eléctrica fornecida, deve ser resolvida por metódos puramente comerciais, aplicáveis a transações internacionais e não por critérios políticos, como tem sido até aqui, e que resulta como consequência a acumulação de um dívida com um valor significativo, que prejudica a economia de Moçambique. O mercado de combustíveis no país deve permitir, de acordo com a legislação vigente, a flutuação dos preços à boca da bomba de abastecimento de acordo com a leis do mercado internacional e variação câmbial. As multinacionais do sector serão assim atraídas a permanecer e investir em Moçambique.Em parceria com empresas portuguesas, especialistas nesta actividade, deve - se apostar nas energias renováveis com especial atenção na solar, já que tal recurso é abundante no nosso país o ano todo. A energia eólica junto as zonas costeiras, deve também merecer especial atenção. O desenvolvimento de uma e outra deve ter como prioridade a substituição gradual do consumo de combustíveis fósseis. Por razões óbviamente ambientais e económicas. O Estado deve abandonar qualquer tipo de subsídio que possa conceder a certas actividades energéticas nesta área de intervenção.
Na área de intervenção dos Recursos Minerais o respectivo titular deverá ser um defensor intrasigente dos interesses nacionais nesta área, que se devem centrar em uma exploração ambientalmente sustentável, uma vez que tais recursos são geralmente explorados por multinacionais estrangeiras, dado que o Estado não tem à partida recursos financeiros para desenvolvê - los. Contudo é preciso lembrar que multinacionais muitas vezes, só se precupam com a extracção do recurso que lhes interessa, e não com a respectiva sustentabilidade do local onde extraem. Assim as concessões a atribuir a tais multinacionais devem obrigatóriamente ter uma forte componente na área de saúde ocupacional, higiene segurança no trabalho e meio ambiente. O conteúdo do contrato de concessões a multinacionais estrangeiras para a exploração de quaisquer recursos devem estar disponíveis para consulta por qualquer membro do público em geral, que manifeste interesse, em particular nos valores que as multinacionais pagarão ao Estado como contrapartida da quantidade do recurso que explorarem, ao contrário do que sucedia na governação da Frelimo, que pautava pelo secretismo total, como forma de pontenciar o enriquecimento às vezes ílicito dos seus membros, envolvidos directa, indirectamente ou por qualquer razão no investimento. A mineração ilegal por mineiros informais, muitas vezes imigrantes ilegais deve ser acérrimamente combatida em todas as frentes, incluíndo em conjunto com a área de intervenção do Interior, responsável pelo contrôle de fronteiras do país.
A área de intervenção dos Transportes e Comunicações deverá priorizar a concessão de rotas de transporte colectivo e semi – colectivo, a operadores privados que tenham competência, capacidade financeira para transportar pessoas e carga como deve ser, com horários de circulação pré - definidos e publicados e não aqueles que apenas são membros de um determinado partido político e que operam transportes sem horário e que iniciam a carreira só quando o autocarro está cheio de passageiros. Através da concessão da rota garante - se a um determinado operador um determinado mercado, o que lhe permite fasear os investimentos no seu negócio, com fluidez, garantido emprego formal aos seus trabalhadores e sobretudo pagando impostos. O Estado deve garantir eficiente fiscalização para que “piratas” sem concessão operem nessas rotas ilegalmente. O sector de transportes do Estado (TPM) em falência técnica há mais de 20 anos e por isso “sorvedouro de fundos públicos” que consecutivamente dissipam - se, conforme demonstram dívidas ao Tesouro Público e a Banca, deverá ser encerrado e as suas rotas concessionadas a privados. A inspecção obrigatória a veículos como condição para a respectiva circulação, deve ser abolida na sua totalidade de imediato, uma vez que a má condição mecânica dos veículos em circulação está longe de ser a causa principal dos acidentes de viação. A corrupção existente no Instituto Nacional de Viação (INAV) na área de exame para a obtenção da carta de condução, na existência de pessoas com 21 e 22 anos de idade biológica, mas já detentores de Carta de Condução de Serviços Públicos, que exige um minímo de 5 anos de experiência de condução é no mínimo ridícula e tem de acabar e é um dos factores que maior impacto tem na ocorrência de acidentes de viação. Uma estratégia séria e fundamentada na realidade no terreno, concentrada na mudança de atitude dos condutores, para reduzir os acidentes de viação deve ser criada, implementada e monitorada pelo titular desta área de intervenção, por forma a reduzir estes eventos indesejáveis. No que diz respeito ao transporte aéreo a liberização das rotas domésticas e regionais deve ser implementada e o monopólio da companhia nacional de bandeira LAM, sobretudo no tronco das rotas domésticas de e para Maputo, Beira e Nampula deve ser terminado em favor da permissão, para outros operadores operarem a mesma rota.
A área de intervenção da Educação deverá começar por ver a sua dotação orçamental aumentada. E porque mesmo assim não há - de ser suficiente para as necessidades, dado a grande quantidade de alunos a todos os níveis que temos de educar, devido o crescimento explosivo populacional no nosso país, o titular desta área de intervenção deverá começar por selecionar e identificar estabelecimentos de ensino de excelência, em diferentes pontos do país aos diversos níveis no ensino público, para os dotarmos de mais recursos, que a outros, para educação de alunos com mais potencial, que nesses estabelecimentos serão matriculados, após testes cientifícos que confirmem o seu coeficiente de inteligência (QI) excepcionalmente elevado. Não é discriminação este metódo. É utilizado por muitos países desenvolvidos que precisam para o seu constante desenvolvimento, quadros altamente qualificados de uma forma contínua. Tal como Moçambique também precisa. Gradualmente e com base na experiência desses estabelecimentos de excelência e à medida do crescimento dos recursos a atribuir, extenderemos tais metódos a outros estabelecimentos de ensino. A revisão dos currículos escolares a nível primário e secundário também é essencial, com a produção de livros escolar para os níveis de educação referidos, a nível local e a introdução de exames no final dos quatro primeiros anos de escolarização, para que os alunos e alunas realmente aprendam as matérias necessárias ao aumento dos seus conhecimentos com solidez e habituem - se desde cedo a ser testados pelos exames . Com estas estratégias reverteremos o facto de que actualmente, a realidade indica que após os 7 primeiros anos de escolarização em Moçambique, alunos e alunas não sabem ler, escrever e muito menos redigir.
A área de intervenção da Saúde terá de adoptar medidas draconianas em conjunto com a área de intervenção do Interior, para que o roubo de medicamentos dentro das unidades sanitárias, por alguns dos trabalhadores que lá trabalham, e o consequente aparecimento à venda em mercados informais, um pouco por todo o país. Roubo sistemático devido à lentidão da Justiça em punir os culpados, que tem consumido inúmeros recursos financeiros atribuídos à Saúde. Urge por isso estancar a sangria e aplicar os recursos delapidados, onde são precisos. Estender os serviços de saúde públicos a todo o território nacional continuará a ser um desafio permanente, que tem de continuar a ser executado, especialmente nas áreas de Saúde Oral e Mental onde a existência destes serviços públicos se limita a apenas algumas cidades. Um melhor relacionamento com as ONG’s estrangeiras governamentais e não governamentais, deverá ser conseguido pelo titular desta área de intervenção, depois das por demais crispações que o anterior detentor do cargo, um militante da Frelimo fez nascer. Estas organizações tem capacidade de nos ajudar especialmente no combate ao HIV/Sida e à malária, desde que a relação entre o Estado e as ONG’s seja feito de uma maneira dialogante, para conciliar tanto que possível as prioridades do serviço público de saúde e as prioridades de cada ONG que variam de uma para a outra, consoante a origem em termos de nacionalidade. A medicina preventiva através de campanhas de vacinação deve também ser priorizada. A demora na afectação de quadros formados em ciências de saúde de todos os níveis recém - formados tanto no país como no estrangeiro, deve ser agilizada, acabando com as demoras burocráticas, ora existentes, que se caracterizam por meses de inactividade dos recém - formados, que ficam a aguardar colocação.
A área de intervenção da Coordenação de Acção Ambiental deverá mudar de nome para Acção Ambiental e a partir daí, prôpor legislação que permita ao Estado ágilmente penalizar através de multas e suspensão de actividades qualquer empresa, local de trabalho ou por qualquer forma actividade productiva, que seja a origem de poluição ambiental. Paralelamente a isso esta área de intervenção, deve ser capacitada com quadros suficientemente competentes para interpretar os relatórios ambientais que as multinacionais a operar no país, por Lei, norma ou regras contractuais fazem chegar ao Estado, através desta área de intervenção, em vez de ser simplesmente “caixa de correio”. Em suma de espectador que tem sido nos últimos 35 anos de governação esta área de intervenção, deve passar a ser mais actuante e pró - activa.
A área de intervenção do Trabalho deve começar por organizar - se a si própria a começar pelas contas do Instituto Nacional de Seguraça Social (INSS) onde uma das origens dos fundos é um desconto obrigatório no salário do trabalhadores, cujos registos contabilistícos por incrível que pareça estão 3 ou 4 anos atrasados, o que óbviamente facilita o desvio e manipulação de fundos, para outros fins que não a segurança social dos trabalhadores que contribuem para o sistema. Assume a dimensão de um roubo em pleno dia em uma das avenidas mais movimentadas de Maputo, a situação atrás descrita de má gestão dos fundos dos contribuintes, que é imoral e pouco ética, aparentemente perpetuada pelo governo anterior para fins óbviamente obscuros. As autorizações de trabalho a cidadãos estrangeiros tem de ser mais agéis na respectiva concessão, como condição para atrair investimento estrangeiro, mas o processo de autorização deve incluir fiscalização no terreno da empresa que solicita a autorização de trabalho e verificação cuidada dos certificados de habilitação académica e profissional apresentados. O nível de Licenciatura no mínimo passará a ser requisito obrigatório no pedido de autorização de trabalho de qualquer estrangeiro. Contudo mandatários estrangeiros de sociedades comerciais com ou sem quotas ou accionistas moçambicanos, estarão isentos de Autorização de Trabalho, desde que façam prova documental dos poderes que lhes tenham sido conferidos. A inspecção do trabalho deve ser reforçada não só para fiscalizar o cumprimento da Lei laboral no que diz respeito a tudo relacionado com os trabalhadores nacionais e estrangeiros. A forma como o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP) executa a sua missão principal de formar trabalhadores desempregados sem recursos, deve ser revista e avaliada com vista a determinar - se se realmente cumpre essa missão, que no governo anterior foi corrompida através de parcerias para formar com exclusividade trabalhadores de multinacionais privadas, que pagavam valores significativos por trabalhador, a operar no país, sendo pouco claro o destino dado as verbas pagas. As sessões anuais da Comissão de Concertação Social para definição do salário mínimo, devem deixar de ser espectáculos para “inglês e doador ver” controladas pela anterior titular do cargo desta área de intervenção, uma mulher com um personalidade marcante. Devem os diversos actores que nelas participam, nomeadamente entidades patronais, sindicatos e governo, adoptarem posições próprias dos interesses que defendem, em vez de se limitarem a seguir o que a anterior governante lhes dizia.
A área de intervenção das Obras Públicas e Habitação tem actualmente para a juventude deste país, uma especial importância dada a carência ou não existência de habitação disponível a preços razoáveis para novos casais nas cidades. Tal situação é devida a políticas erradas implementadas após a independência nacional, pela governação anterior da Frelimo, quando o objectivo pelo qual se nacionalizou todas as casas foi distorcido por causa das despesas da guerra civil que se seguiu, e fundamentalmente originada pela arrogância da Frelimo na epóca em admitir, de que havia moçambicanos que não eram simpatizantes daquele partido político. O titular desta área de intervenção deve de uma forma criativa em cooperação com o sector privado, promover a construção de casas económicas que possam ser vendidas a interessados, através de empréstimos a juros bonificados, e mecanismos de redução de risco na concessão destes empréstimos, em vez de vivendas e condomínios de luxo que proliferam em algumas áreas nobres das cidades e do campo dando uma falsa sensação de prosperidade, uma vez que a maioria dos habitantes de tais construções, são estrangeiros, residindo temporáriamente em Moçambique e nacionais pertencentes à élites político empresariais. No capítulo das estradas apesar dos muitos milhões de dólares doados por organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional e mais de 15 anos de paz contínua no país, continuamos a não ter uma estrada nacional número um em condições de circulação boas do Maputo ao Rovuma, e outras tanto dentro como fora de cidades, vilas e localidades péssimamente mal mantidas, o que óbviamente é um indicador subjectivo de que muito do dinheiro doado ou emprestado, serviu para enriquecer alguém (leia - se militantes da Frelimo) e não construir ou manter estradas. O novo titular desta área de intervenção deve pois garantir que esses recursos são devidamente aplicados, com vista à melhoria das nossas estradas, condição essencial para um crescimento económico sustentável à luz de uma melhor e mais barata circulação de bens e pessoas no país.
A área de intervenção da Juventude e Desportos face aos parcos resultados obtidos na esfera regional e internacional, com excepção para Lurdes Mutola em um passado recente, indicam que pouco ou nada tem sido feito pelo governo anterior, quer em modalidades individuais como de grupo. Com os exíguos recursos que podemos disponibilizar para esta área de intervenção, a única solução a meu ver será selecionar as modalidades susceptíveis de dignificarem o nome de Moçambique, as quais posso deste púlpito sugerir: Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, atletismo corridas de velocidade e de resistência. O futebol ainda que um desporto de grande popularidade, não está massificado, pelo que deve concentrar-se em competições domésticas a nível nacional e outras a nível regional cuja participação da selecção nacional não seja muito onerosa. Gradualmente passo a passo poderemos preparar uma selecção para disputar um CAN ou mesmo mundial dentro de 5 a 8 anos. A questão das federações desportivas sem estatuto juridíco legal, que se arrasta há vários anos, tem de terminar de uma vez para sempre. Quem persistir em permanecer ilegal verá todo o apoio do Estado à respectiva modalidade terminar sob todas as formas, com vista a que os que gostam dessa modalidade, pressionem os respectivos dirigentes federativos a legalizarem - se.
A área de intervenção da Mulher e Coordenação da Acção Social deixará ser Ministério e passará a Direcção Nacional. Torna -se um desperdício de fundos atribuir o estatuto de Ministério, com os correspondentes gastos inerentes a tal estatuto, a um trabalho efectuado, que prácticamente não tem visibilidade. Até porque as mulheres hoje em geral no nosso país já se sabem afirmar por si só, superando muitos homens em posições de destaque na sociedade a vários níveis, incluíndo o rural não necessitando de um Ministério para as apoiar. Quanto à Acção Social face aos poucos recursos que poderemos atribuir para minimizar os mais carenciados, definitivamente não precisa de um Ministério, sendo uma Direcção Nacional mais racional em termos de custos do que o Estado poderá fazer.
A área de intervenção do Turismo no qual o nosso país tem enormes potencialidades, tem sido erradamente promovida pelo governo anterior, como demonstram os atrasos nas obras de construção do Aeroporto de Maputo, do Estádio Nacional e o mau estado geral da limpeza da cidade de Maputo, a menos de 100 dias do início do Campeonato Mundial de Futebol na África do Sul. Projectos esses que foram concebidos para estarem concluídos antes do início do Mundial. A governação anterior resolveu apostar em infra - estruturas turísticas resultantes essencialmente de investimentos privados estrangeiros e nacionais, cujos serviços prestados aos seus hóspedes são tão caros, incluíndo a nível de tarifas regionais, que apenas uma minoria de estrangeiros a eles consegue ter acesso. Os nacionais estão essencialmente afastados de tais infra - estruturas por falta completa de capacidade económica. O projecto “Capulana” promovido pela anterior governação da Frelimo, ficou sem “tecido” por falta de gestão adequada dos poucos fundos atribuídos e má gestão também das poucas unidades hoteleiras construídas, tendo contribuído para não reverter a situação atrás descrita. Há que reverter tal quadro da seguinte maneira: O próximo Orçamento do Estado deve incluir um montante a ser gasto como investimento no exterior do país em feiras internacionais e outros eventos com o objectivo de promover e tornar conhecido Moçambique, como destino turístico internacional, com tarifas competitivas. Em parceria com o sector privado, deve - se procurar meios incluíndo incentivos fiscais para quem promova em infra - estruturas turistícas serviços a turistas nacionais ou estrangeiros mas de origem doméstica, a preços mais competitivos alinhados com as tarifas de outros países na África Austral. O turismo para a caça de animais de grande porte, deve ser promovido de uma maneira sustentável com tarifas por animal abatido em linha com as tarifas internacionais. O turismo para “back packers” através de um alto número de turistas deve ser promovido, procurando atraí - los, quebrando a barreira linguistica, já que o inglês é a língua mais comum neste tipo de turistas.
A área de intervenção da Ciência e Tecnologia deve procurar acarinhar iniciativas inovadoras, que possam ser aplicadas na economia nacional, por forma não só a rentabilizá - las, como remunerar a quem fôr o inovador. Manter - se - á por isso com o estatuto de Ministério, como deve ser próprio de um país, que realmente depende desta área de intervenção para o seu próprio crescimento económico sustentável.
A área de intervenção da Justiça deve implementar novos metódos de trabalho, que se caracterizem por definição de critérios e articulação efectiva dos tribunais, procuradorias e ordem dos advogados com as organizações da sociedade civil de uma forma clara, directa e transparente, para que se repercutam no dia a dia da vida dos cidadãos com ou sem interesse no funcionamento do sistema judiciário. Também a actual morosidade processual incluíndo a de recuperação de dívidas de caloteiros, é um cancro no sistema judicial e frusta a confiança no sistema e eleva a taxa de juro nos empréstimos bancários, realidade por demais conhecida pela maioria dos cidadãos, (exemplo são os constantes linchamentos de suspeitos de crimes cometidos) o que o torna em um dos principais problemas que deve ser enfrentado pelo titular deste cargo por forma a encontrar uma forma mais expedita para que se faça justiça com credibilidade. Finalmente a regular e efectiva prestação de contas e o acesso à informação daí resultante, deve passar a constituir um fundação sólida para a credibilização do sistema judicial, bem assim como para a realização do acesso à justiça, por todos. A morosidade processual existente eleva os juros nos empréstimos que as instituições bancárias fazem e mantêm em prisão preventiva um elevado número de cidadãos não julgados e condenados por largos períodos de tempo, em estabelecimentos prisionais já superlotados. Há que arranjar uma forma legal, expedita e eficiente de processar estes processos e diminuir o tempo de espera. A Polícia Judiciária passará a ficar sob a tutela desta área de intervenção, para acabar com as interferências da Polícia, se a investigação inclui directa ou indirectamente assuntos que possam afectar aquele orgão.
A área de intervenção da Cultura manter - se - á como Ministério dada a importância que assume para a nossa auto - estima. No meu mandato não se deve esperar grandes apoios nesta área, pelo que deixamos ao sector privado a intervenção na área, para o que vamos aprovar quanto antes a Lei do Mecenato (que o anterior governo há muito hesita em aprovar) que trará importantes deduções fiscais, para quem patrocinar eventos culturais no pagamento do IRPC de pessoas colectivas ou IRPS a quem em nome individual fizer o mesmo. Cremos assim que com estes incentivos fiscais a introduzir os nossos artistas terão mais apoios para a materialização das suas obras, que até aqui não disfrutavam, o que óbviamente trará benefícios culturais para aqueles que se interessam, como para as populações em geral.
A área de intervenção dos Antigos Combatentes deixará de ter o estatuto de Ministério e passará a Direcão Nacional. O estatuto de Antigo Combatente não é hereditário, como infelizmente alguns sectores do anterior governo da Frelimo, entenderam considerar que era. Quem foi antigo combatente foi o avô, avó, pai ou a mãe. Os respectivos filhos ou netos não devem herdar quaisquer direitos adquiridos por isso, pois o estatuto de Antigo Combatente só pode ser atribuído a quem participou em determinada actividade, durante um período determinado de uma guerra, ora terminada. Trinta e cinco anos depois do términus da luta de libertação é inadmissível que haja antigos combatentes, a receber uma pensão atribuída, quando a respectiva idade biológica indica que nem ainda tinham nascido, quando a independência nacional ocorreu. Os restantes antigos combatentes das guerra civil subsequente à de libertação nacional, devem ver os seus casos tratados com a mesma equidade com que foram tratados os de libertação nacional e não negligenciados, como o foram até aqui pela governação da Frelimo.
Excelentissímos Chefes de Estado e de Governo estrangeiros a esta cerimónia convidados;
Excelentissíma Presidente da Assembleia da República;
Excelentissímo Presidente do Tribunal Supremo;
Excelentissímos Membros do Corpo Diplomático acreditado em Moçambique;
Caros compatriotas.
Termino este discurso que constitui em linhas gerais o mote do que será a governação que chefio, manifestamente diferente do que neste país foi feito nos últimos 35 anos, o que a torna duplamente desafiadora, mas nada nos demove, pois acreditamos que ao implementá - la, estamos a cumprir o nosso manifesto eleitoral, que constitui um documento base para providenciar, com o trabalho de todos, uma vida melhor para todos os moçambicanos independentemente da respectiva filiação partidária.
Muito Obrigado.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

FRELIMO DE ONTEM E DE HOJE



Publicada na Página 3 do Diário Independente de 3 de Maio de 2010 - Edição no 517 como Artigo de Opinião

Também Publicado “Magazine Independente” Ano IV n0 161 Página 6 de 05/05/2010 como Artigo de Opinião

Olhando para a história da Frelimo, nos anos que procederam a independência nacional, quando se urbanizou, primeiro debaixo da liderança visionária de Eduardo Mondlane e militarizada de Samora Machel, é lamentável termos de reconhecer que o então digno movimento de libertação, que procurava acima de tudo justiça, transparência, melhor distribuição pelos cidadãos da riqueza do país, por cuja independência política lutava e pelo direito dos moçambicanos de terem um estado e uma nacionalidade, tenha mergulhado na vertical de tais alturas, meteóricamente em um período relativamente curto, para as subterrâneas, pouco claras e míopes alturas de partido político no poder, renegando na sua totalidade a sua própria missão histórica.
A Frelimo de hoje é um animal completamente diferente da Frelimo de antes da independência e a sua actual liderança nos vários orgãos do partido, assim como o seu relacionamento com parceiros dão origem à uma imagem metafórica perfeita do seu carácter, maneira de actuar e compostura presentemente, totalmente alienatória.
Algumas das qualidades que o referido partido “arquivou” no passado mais ou menos recente incluem: A dignidade, honestidade, procura de uma causa justa e a confiança que o povo depositava no partido. Pessoas que eram líderes da Frelimo de ontem e que eram conhecidas por durante a luta de libertação nacional e depois da independência organizar comunidades e educar populações sobre justiça e igualdade, em trabalho voluntário nas bases da guerrilha na Tanzania e nas chamadas células do partido de bairro e local de trabalho, já em território nacional, transformaram - se em indivíduos estranhos, com queixo levantado e semblante carregado, de difícil acesso para uma simples conversa, que usam fato e gravata a maior parte do tempo, conduzem ou são conduzidos em veículos de alta cilindrada, vivem em mansões, preocupados em fazer negócios cuja génese essencialmente se resume apenas a prover ou vender facilidades locais a investidores estrangeiros, em troca de pedaços de terra nos locais que interessam aos investidores, participações sociais minoritárias nos respectivos investimentos que por Lei tem de ter uma percentagem de cidadãos nacionais, simples comissões, luvas, pagamentos por prestação de serviços ou qualquer outra forma de rendimento onde o retorno do capital obtido a custo zero “sacado” do Tesouro Público, Bancos do Estado e outras instituições públicas, seja o dobro do investimento, para no mais curto espaço de tempo, satisfazer novas necessidades e gostos pessoais sofisticados, que entretanto elas e familiares mais chegados adquiriram, atribuindo ou dando “migalhas” da riqueza fraudulentamente gerada que possuem, às gerações mais novas, em troca da respectiva fidelidade canina de ser “bom” rapaz ou “boa” rapariga.
Durante os anos de liderança da Frelimo por Mondlane e até mesmo Machel, a percepção do cidadão moçambicano comum sobre a liderança do então movimento de libertação que conduziu o povo moçambicano, mais solavanco menos solavanco, à independência nacional e geriu os primeiros anos de independência do país, era de que essa liderança tinha uma noção muito exacta das responsabilidades históricas pesadas que carregavam nos ombros e por consequência disso estava profundamente ao corrente das aspirações e necessidades do povo moçambicano. Neste sentido a liderança referida não se preocupava em fazer “teatro” para ganhar popularidade, mas sim tomava as respectivas decisões, baseada na sua consciência ao tempo sem mácula.
Contudo durante a liderança da Frelimo por Chissano, que substituiu Machel ora falecido, na sequência de um acidente aéreo, que curiosamente até hoje essa mesma Frelimo nunca foi capaz de informar o povo moçambicano quais foram as respectivas causas, a maneira de actuar da liderança começou a mudar de uma forma subtil, lenta, diplomática mas irreversível, que na percepção do povo e até do seu sucessor pouco depois de ser conhecido públicamente quem seria, após a substituição em um processo pacífico, mas com clivagens, valeu a Chissano o estigma, alcunha ou cognome de “líder do deixa -andar”.
A liderança da Frelimo por Guebuza foi consolidada após o Congresso de Quelimane, onde os seus veementes apoiantes em alto e bom som prometeram ao povo moçambicano de que Guebuza era um dirigente em contacto permanente com as massas e um quadro disciplinado do partido, realidades que os subsequentes actos de governação e liderança partidária indicaram não ser totalmente verdade, a avaliar pela colossal “salada russa” em que se transformou o actual Estado/Partido em Moçambique.
Os Moçambicanos querem que o partido que lidera o governo use os escassos recursos disponíveis no país para melhorar o nível de vida de todos os moçambicanos, não para enriquecer escandalosamente alguns políticos, seus familiares amigos e conhecidos, como esse mesmo povo, tem a oportunidade de perceber. E não querem um partido político que promova o obscurantismo, a excessiva acumulação de cargos pelas mesmas pessoas (apesar de proibidos por Lei em alguns casos), a corrupção, o egoísmo, a impunidade, os salários mínimos injustos para “inglês e doador ver”, a ganância excessiva por riqueza ilícita, a ausência de um sistema de justiça credível e o fanatismo político partidário, baseado em algumas prácticas reavivadas do monopartidarismo, em detrimento do patriotismo genuíno. O apetite da actual élite politíco partidária, pelas nomeações governamentais e partidárias, de tão desmesurado que é, redefiniu o carácter modesto da Frelimo para uma arrogância sem precedentes (que o G-19 surpreendentemente fez recuar baseado em critérios economicistas) e provocou a erosão da legitimidade histórica da sua missão. Agora tudo parece ser apenas ter a ver com “poder e riqueza” e não mais sobre justiça, transparência e melhor distribuição de riqueza.
Talvez, a pior parte do novo carácter egoísta adoptado pela liderança da Frelimo de hoje, é o facto de que as condições de vida dos seus membros e simpatizantes comuns, que participam e enchem os comícios, as celebrações partidárias e governamentais e as presidências abertas, são no essencial as mesmas ou piores do que o eram em 1975. Ou seja, substituíram a liderança colonial por uma liderança moçambicana, exactamente com os mesmos interesses, sem nada pôr ou tirar, a caminho do terceiro mandato, que inevitávelmente acabará por se materializar, uma vez que os comentários recentes sobre o assunto, de que não irá acontecer, são apenas para “boi dormir”.
Observador Atento

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ROUBO DE ACESSÓRIOS DE AUTOMÓVEIS



Nesta cidade próspera, bela, limpa, segura e solidária na utópica óptica do Conselho Municipal de Maputo, de acordo com a publicidade televisiva com que nos tem recentemente “bombardeado”, deturpando a realidade nua e crua de Maputo, que tem uma imagem cada vez mais desgastada e sem credibilidade, com lixo espalhado pelas ruas mesmo no Distrito Urbano KaMuphumo, ex n0 1, os automobilistas de Maputo a juntar ao “stress” dos engarrafamentos diários devido ao elevado número de viaturas em circulação e a não existência de transportes públicos de qualidade, em termos de horários, limpeza e ambiente social adequado no interior dos transportes semi - colectivos e colectivos, que atraiam as camadas sociais mais altas a usá - los, em substituição do veículo privado, mau estado de algumas estradas sobretudo nas zonas periféricas e mais recentemente as inspecções obrigatórias de veículos como condição para a respectiva circulação, tem de se confrontar nos últimos anos com o aumento gradual de roubos de acessórios dos respectivos veículos, perante a impotência total da PRM (Polícia de Protecção) e da Polícia Municipal, e até da PIC a caminho de se tornar SICRIM, que fazem de conta que o problema não existe “olhando para o lado”.
Espelhos exteriores, fárois da frente, indicadores de mudança de direcção da frente e de trás, luzes indicadoras de travagem e presença tanto da frente como de trás e emblemas da marca posicionados sobre o capô à frente e sobre a tampa da bagageira à retaguarda e rádios reprodutores de CD’s, são os items mais roubados, cuja ausência de alguns, pôe em causa a segurança do veículo, aumentando o risco da ocorrência de acidentes. Os roubos ocorrem quer durante a noite como de dia, em qualquer ponto da cidade e arredores, na via pública onde o veículo estiver estacionado, ou até dentro de quintais de propriedade privada, mesmo com segurança privada, formal ou informal, aparentemente em alguns casos com conivência dos respectivos guardas. Uma das consequências desta “roubalheira” sem fim é o aumento dos custos de conservação de um veículo em boas condições de circulação segura, a pagar pelos automobilistas, quer directamente a partir dos respectivos salários ou outros rendimentos ou ainda nas despesas das instituições públicas ou privadas onde trabalham, quando se trate de empregados com suficiente senioridade, para terem direito a tal benefício.
Os automobilistas vítimas de tais roubos raramente reportam o caso à polícia, dada a demora e burocracia que existe em qualquer esquadra para se apresentar uma queixa, onde até os respectivos agentes de serviço é que tem de comprar as canetas com que trabalham. Assim nas instituições encarregues de manter a Lei e Ordem ou investigar crimes, homéricamente não se sabe de nada. Os automobilistas a seguir procuram por qualquer meio substituir as peças roubadas ou nos agentes oficiais da marca do carro se fôr a instituição ou serviço a quem o veículo está afecto a pagar, a um custo elevadissímo ou junto das próprias quadrilhas que organizam os roubos se fôr o propriertário ou utilizador do veículo, onde se paga muito menos por comprar as peças que eram sua propriedade, antes de serem roubadas. Assim em locais da cidade por demais conhecidos por todos, incluíndo os comandantes a todos os níveis de todas as polícias, basta lá ir, dizer o que quer e combinar muitas vezes por telefone móvel, cujo número os ladrões baseados nas melhores prácticas comerciais disponibilizam, sobre qual a melhor hora para levar o veículo ao tal sítio, onde os acessórios roubados e em falta são pronta e rápidamente montados, ao que se segue o correspondente pagamento geralmente estimado em um terço do valor das mesmas peças no agente da marca do carro. Ou seja empreendedorismo na sua forma mais selvagem, vendendo mercadoria roubada. Repostas as peças, em tentativa para impedir o roubo novamente o automobilista indefeso manda gravar a jacto de areia a matrícula do veículo, nos espelhos retrovisores e até nos indicadores de direcção e luzes de presença e travagem, dando origem a mais uma prestação de serviço que não paga imposto.
Quanto aos ladrões, cuidadosamente formados por ‘’mais velhos”, sobre a melhor maneira de “sacar” as peças nos carros das diversas marcas, o mais rápidamente possível e sem as danificar, passam à fase de execução dos roubos, são geralmente jovens recrutados no numeroso exército de desempregados existentes na cidade de Maputo, onde a taxa de desemprego aparentemente é mais do que 50%, um indicador que os sucessivos governos tanto ao nível central, como municipal, tem tido o cuidado de não mencionar, para não estragar o “quadro côr de rosa” que os políticos locais tanto gostam de pintar, quando se trata de propagandear os seus feitos de “ar quente” do que de qualquer coisa efectiva e real que melhore com sustentabilidade, a vida dos eleitores que os elegeram.
É portanto ao nível dos pequenos furtos deste tipo que começa a prominiscuidade entre polícias e ladrões, que apenas querem dinheiro vivo em troca dos artigos que roubam, uma vez que os referidos locais onde se comercializam os artigos roubados existem há vários anos, são por demais conhecidos e nunca são objecto de qualquer “operação de limpeza” policial, uma vez que é óbvio que o seu encerramento contribuiria para diminuir os roubos que os automobilistas sofrem. A referida prominiscuidade à medida que vai crescendo, independentemente de ser PM, PIR, PRM, PT, FADM, PIC ou SICRIM acaba por ser por exemplo, a origem de assaltos à mão armada a cidadãos, residências, bancos e outros locais com armas alugadas a membros dessas polícias e termina por vezes em assassinatos a sangue frio de polícias, cujos autores sistemáticamente e ao longo de vários anos, nunca foram identificados e levados à justiça, apesar da polícia “estar a trabalhar”como repetida e incansávelmente os porta - vozes dessas instituições fazem saber ao público em geral.
Pobres de nós!
Observador Atento

quarta-feira, 17 de março de 2010

CONCESSÕES DE ROTAS



É por demais óbvio que o Governo ficou e continua “nervoso”, com o que aconteceu em 5 de Fevereiro de 2008, na cidade de Maputo, quando uma manifestação expontânea provocada pelo aumento aprovado pelo mesmo governo em 50% da tarifa do “chapa”, em um par de horas, alastrou descontroladamente, apesar dos descoordenados esforços da Polícia de Protecção, até chegar ao interior da chamada “cidade de cimento” com pedras a chover a torto e a direito dirigidas às viaturas que passavam em plena Avenida Eduardo Mondlane esquina com a Avenida Guerra Popular, depois de iniciada em bairros periféricos dos mais distantes. A manifestação teve muito impacto pois chegou a interromper por completo, uma sessão do Conselho de Ministros, devido à ansiedade apreensão e pressão psicológica, manifestada pelos membros do distinto Conselho, na reunião que decorria no lugar habitual e que não foi afectado pelas pedradas da população revoltada. Depois desse dia a questão dos transportes passou a ser mais priorizada na agenda governamental do dia a dia, depois de antes da manifestação ter sido manifestamente negligenciada.
Prova da priorização referida, foi a substituição do respectivo Ministro do pelouro dos Transportes e Comunicações (curiosamente hoje condenado a 20 anos de prisão maior por outras razões) em um país onde a impunidade para ilegalidades cometidas por pessoas influentes na sociedade, como um ex - Ministro é a regra e o cumprimento da Lei por todos a excepção. Seguida da importação e atribuição de 100 autocarros Volkswagen carroçados pela brasileira Caio para potenciar o “sorvedouro de fundos públicos” conhecido pela sigla TPM (Transportes Públicos de Maputo), empresa pública que está em falência técnica, há mais de 15 anos. Subsídio governamental ao preço dos combustíveis que se mantêm inalterado no país desde Março de 2009, Tentativa ainda que tímida de diversificar o tipo de transporte colectivo oferecido à população como uma carreira regular de barco Matola - Rio - Baixa de Maputo, etc.
Mas as medidas implementadas pouco contribuíram para diminuir a grande dependência do Estado em relação ao sector privado na área de transporte colectivo e semi - colectivo, que continua tão ou mais indisciplinado como sempre foi, antes e depois da manifestação, sempre em prejuízo dos respectivos utentes, que para cúmulo recentemente viram a entrada, na horas de “ponta”, nas rotas dentro da cidade de cimento de veículos de caixa aberta de carga, a transportar pessoas, agora popularmente chamados “bóias de salvação” depois de terem sido banidos dessas áreas há 20 anos atrás, motivo pelo qual o governo agora tenta salvar a “cara” através da solução ainda promessa “Concessões de Rotas”.
Esta solução não é nova, em Moçambique, foi amplamente usada pelo governo colonial português. Concretamente em Lourenço Marques onde havia entre outras, a Auto Viação do Sul do Save (Rotas para a Província de Inhambane), Oliveiras Transporte e Turismo (rotas para a Província de Gaza e algumas localidades da Província do Maputo), Teresa Lino e Filhos (rotas para a Província de Maputo), Companhia de Transportes de Moçambique (rota Matola-Maputo-Matola) e Secção de Viação do Caminho de Ferro de Moçambique do Estado (extinta depois da independência), que competia com os privados atrás referidos, em rotas na Província do Maputo. Os autocarros estavam bem identificados por um esquema de cores e dizeres atinentes a cada uma das empresas, o que tornava fácil à fiscalização do Estado da epóca, a identificação de qualquer “transportador pirata” que se atrevesse a desafiar a Lei e transportar pessoas e carga em uma rota que estivesse concessionada a outrem. Ainda que tal rigorosamente não acontecesse, devido à cultura geral de trabalho prevalecente na actividade naquela epóca. Os proprietários destas transportadoras privadas eram ricos, davam emprego formal a muitos trabalhadores, sempre com salários em dia, substituiam periódicamente por outros novos (crédito bancário) e mantinham em boas condições operacionais os autocarros que usavam na exploração das rotas concessionadas, onde operavam segundo um horário pré - definido e publicado, que era cumprido mesmo que o autocarro à hora da partida só tivesse um passageiro a bordo e acima de tudo pagavam impostos ao Estado, em função dos rendimentos da sua actividade. O cenário atrás descrito é precisamente o oposto daquilo que acontece na presente data, com os proprietários dos actuais “chapas”, conforme ficou provado a quando da atribuição do subsídio governamental de combustível em 2009, onde 90% dos proprietários não o requereram por não estarem a cumprir cabalmente as respectivas obrigações fiscais, só para mencionar uma única ilegalidade.
Agora que o Conselho Municipal da Cidade de Maputo abriu o concurso público para a concessão das primeiras rotas, à luz da ilegalidade, indisciplina, corrupção e cultura de trabalho de “lei do mais forte” que grassa no sector de actividade, de que esta crónica trata, independentemente de quem forem os vencedores em cada uma das rotas concessionadas, o desafio será: As entidades fiscalizadoras nomeadamente Polícia Municipal, Polícia de Trânsito e INAV (instituto Nacional de Viação) serão capazes de removerem os “transportadores piratas” que concerteza aparecerão, a desafiar quem legalmente ganhou o concurso de uma determinada rota? Eu acho que não, pelo que as consequências continuarão a ser a prevalência do caos actual, com tendência para piorar, em prejuízo dos utentes, provando a incapacidade governativa em disciplinar um sector que constitucionalmente é um direito do cidadão (transporte) é uma obrigação do Estado.
Observador Atento

sexta-feira, 5 de março de 2010

INSPECÇÃO OBRIGATÓRIA DE VIATURAS



Recentemente o Ministro dos Transportes e Comunicações e a elegante Governadora da Cidade de Maputo, presidiram às cerimónias de inauguração do Centros de Inspecção Obrigatória de Veículos com discursos onde os habituais chavões políticos que caracterizam a actual governação, indicaram que a infra - estrutura iria contribuir para a redução dos acidentes de viação no país, em uma tentativa de fazer crer ao público em geral, que o governo está preocupado com as consequentes perdas materiais e humanas resultantes do alto número de acidentes de viação que ocorrem no país, o que estatistícamente é verdade, pois custam qualquer coisa como 100 milhões de dólares americanos, por ano.
Com legislação copiada em terras lusas, à beira do frio Oceano Atlântico, país que tem uma das taxas mais altas de sinistralidade rodoviária da União Europeia, sendo por isso um mau exemplo, onde aliás quer se queira quer se não queira, muita da mentalidade e nacionalidade de quem hoje nos governa ainda está, seremos obrigados a levar o carro que conduzimos ao Centro de Inspecção, que será operado por empresa privada, com o estatuto de sociedade comercial, cujos accionistas são membros da existente élite político empresarial local, que transformaram facilidades em dificuldades, para valorizar a sua participação, junto de outros associados descendentes da tribo de Viriato, que trouxeram os Euros, a investir, para junto do Oceano Indíco, com o objectivo de enriquecer o mais depressa possível e sem olhar a meios, a quem o INAV em “concurso público” muito pouco transparente, concessionou por 25 anos, as ditas cujas inspecções.
Em 1 de Setembro de 2010, prevejo que mais de 50% do parque automóvel em circulação não estará ainda inspecionado, passando por isso a circular ilegalmente, uma vez que quer por questões financeiras ou técnicas os proprietários dos veículos preferirão desafiar as autoridades do que fazer parte de uma estratégia governamental de redução de acidentes errada, motivada por factores de enriquecimento fácil e construída a partir do telhado e não a partir das fundações.
O governo ao implementar esta legislação, que se saiba, nunca fez ou publicou qualquer estudo ou análise que tenha feito a qualquer tipo de estatística, sobre as causas dos acidentes de viação, em Moçambique, actuando com total desgoverno, revelando uma decisão cínica, ou seja uma fraude em detrimento da economia do país de gigantescas proporções.
A inspecção obrigatória de veículos é um procedimento normal em vários países, tendo como objectivo proteger os cidadãos contra a circulação na via pública de veículos que pelas suas deficientes condições mecânicas constituem um perigo para os próprios utilizadores e outros utentes da via pública, mas nesses países o Estado assume com seriedade a sua responsabilidade de garantir que não sejam as vias de circulação uma das causas para a existência de viaturas em más condições mecânicas, uma vez que é contraproducente no caso de Moçambique, exigir que uma viatura que circula em ruas e estradas em más condições de conservação, poeirentas e repletas de buracos devido à incapacidade generalizada da ANE e autarquias um pouco por todo o país de manterem as estradas devidamente e convenientemente sinalizadas, se sujeite a uma inspecção obrigatória como condição para a sua circulação?
Se a proliferação de acidentes de viação é na verdade preocupação do governo, então os pontos de intervenção, antes das inspecções obrigatórias deviam ser:

1 - Aumento do investimento em formação profissional dos polícias de trânsito e municipais que fiscalizam os automobilistas assim como meios materiais para a tornar mais eficiente, transparente e custo efectiva.
2 - O governo e autarquias devem cumprir e fazer cumprir com equidade por todos legislação há muito existente sobre transportes colectivos e semi - colectivos, fonte inquestionável da maior parte dos acidentes que ocorrem.
3 - INAV deve inspeccionar periódica e regularmente as Escolas de Condução para garantir a qualidade mínima dos ensinamentos que estas ministram aos candidatos à carta de condução de todas as classes.
4 - Combater cerradamente a corrupção generalizada a todos os níveis no INAV orgão do Estado responsável entre outras atribuições pelos exames, emissão de cartas de condução e de livretes para circulação legal dos veículos.

Por isso a introdução das inspecções obrigatórias é sem dúvida uma decisão tomada com o intuito de satisfazer os interesses de um pequeno grupo de pessoas influentes com posições de destaque na sociedade que viram num procedimento legítimo e normal em países normais, uma oportunidade para fazer um negócio chorudo, mas sem quaisquer benefícios práticos para Moçambique. É o cabritismo na sua mais alta expressão. Trata-se, por isso, de uma decisão totalmente desajustada à realidade do país, sendo essa a razão que à semelhança da legislação sobre cumprimento da lotação dos veículos, que é totalmente ignorada por todos (apesar da respectiva contribuição para a ocorrência de acidentes) incluíndo entidades de fiscalização, esta das Inspecções Obrigatórias, terá o mesmo destino.
Observador Atento

quarta-feira, 3 de março de 2010

MAPUTO, A VIGARICE DO LIXO!



Foi durante a governação do anterior Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneias da Conceição Comiche, que a ideia de que os munícipes desta cidade teriam de colaborar na remoção dos resíduos sólidos, que todos geramos nas nossas residências diáriamente, dado os elevados custos associados à actividade. Assim para tornar Maputo uma cidade próspera, bela, limpa, segura e solidária era necessária uma colaboração dos municípes, que traduzia - se no pagamento da taxa de lixo, que até à altura nunca tinha sido paga, uma vez que a remoção era feita a custo zero para os munícipes. Feita a necessária preparação psicológica das “massas” residentes no Município, a quem foi prometida uma cidade mais organizada e atractiva, em preparação para receber condignamente os turistas gerados pelo Mundial de 2010 no país vizinho, os valores foram definidos, a Assembleia Municipal com a maioria absoluta do partido politíco a que o Edil pertence aprovou - a e depois os doutorados, mestres e licenciados ao serviço do Munícipio para reduzir os custos de cobrança da nova taxa, entraram, directamente no bolso dos munícipes, conseguindo vá - se lá saber por que quadro legal, o pagamento obrigatório através da factura de energia eléctrica da EDM, em um acto que até hoje a respectiva legalidade é duvidosa, uma vez que o contracto que assinei com a EDM há uns anos atrás do local onde resido, apenas me obriga a pagar os consumos de electricidade sob pena de um corte de fornecimento se não pagar. Nunca tal contracto incluiu qualquer clausúla onde a mencionada taxa de lixo se não paga, daria origem a um corte.
Porque a aplicação das Leis em Moçambique em geral, é diferente para uns e outros, dependendo de quem voçê é, ou a classe social a que pertence, apenas os munícipes que tem contractos de fornecimento com a EDM começaram a pagar, tendo todos os outros que não tinham, continuando a gerar lixo, mas não pagando nada. O que no mínimo viola o princípio de equidade de todos os munícipes. Lembro - me de uma vaga promessa de que seria criado um mecanismo porta a porta para a cobrança, mas que seja do meu conhecimento até hoje não existe, e se existir 3/4 da receita não chega aos cofres do Munícipio por ser sistemáticamente desviada a favor dos próprios indivíduos que executam tal tarefa, como é habitual, não só no Conselho Municipal, como outras instituições do Estado.
O serviço prestado de recolha de resíduos sólidos, não melhorou significativamente apesar de ter gerado algumas oportunidades de negócio para empresários nacionais e estrangeiros de vários níveis desde o “tchova” até ao camião com sistema hidráulico de recolha de resíduos, contudo parece que os milhões de meticais de receita gerados mensalmente, pela inclusão da taxa obrigatória, foram e são usados para outros fins que não o da melhoria dos serviços de recolha de resíduos sólidos da edilidade. Presentemente, nem sequer o Distrito Urbano n0 1 está convenientemente limpo, nem a recolha de resíduos é feita com regularidade, onde a responsabilidade da mesma segundo o dizer do actual titular do cargo de Presidente, cabe a uma empresa cujo escritório se situa no ambiente de ar condicionado e perfume do maior complexo comercial da cidade, na baixa, longe do cheiro nauseabundo que os contentores de lixo, por recolher, exalam pelas ruas e avenidas de todo o Distrito e com o qual os ditos cujos turistas do Mundial de 2010, óbviamente terão de conviver, pois nós residentes já estamos habituados ao mau cheiro. Quanto aos restantes Distritos Urbanos sobretudo nas zonas periféricas da cidade é uma tragédia! Passam - se semanas sem haver qualquer recolha, chove, a água mistura - se com resíduos sólidos gerando poças de água parada e a malária e cólera grassam livremente. Quando residentes dessas zonas cansados de pagar um serviço que não é prestado, bloqueiam a rua com lixo, para fazer saber à edilidade que “estamos aqui”, têm de se confrontar com Polícia de Intervenção Rápida, que em nome da reposição da ordem pública, usa os bastões a esmo, uma vez que foi apenas formada para isso.
Repudio por isso, veementemente, desta tribuna o pronunciamento do Senhor David Simango feito na reunião de auscultação das principais preocupações dos citadinos, na Escola Josina Machel, por ocasião do primeiro aniversário da tomada de posse do Executivo da cidade de que é necessário aumentar a taxa de lixo em 20%, facto de que nunca falou durante a sua campanha eleitoral.
O Conselho Municipal de Maputo sob a sua ilustre presidência, deve primeiro mostrar serviço, organização e metódos de trabalho honestos, facto que ainda não aconteceu no que diz respeito ao tema aqui tratado, para fazer sentir aos munícipes de que é legítimo termos de pagar mais 20%. Se assim não fôr é VIGARICE ao nível de todo o Munícipio capital de Moçambique, apesar de o senhor ter na sua mão todos os mecanismos legais e democráticos, para unilateralmente fazer valer a sua decisão de quero, posso e mando, digna de Luís XV o rei sol , que ao seu tempo dizia L”Etát C’est Moi” .
Observador Atento

terça-feira, 2 de março de 2010

BANCADA OU NÃO BANCADA!



Publicado “Magazine Independente” Ano III no 149 Página 8 de 10/02/2010

A medida que a Assembleia da República no início da nova legislatura, vai efectuando as respectivas tomadas de posse, nomeações e eleições internas rumo à primeira sessão ordinária, em Março de 2010, uma das duas grandes expectativas que fazem parte integrante desse processo vai - se clarificando; nomeadamente: A posse dos Deputados da Renamo, que acabaram por tomar posse, incluindo nomes sonantes do referido partido como Ivone Soares (sobrinha de Dlakama), Ossufo Momade (Secretário Geral) e Lúcia Afate (Delegada Provincial de Nampula), contrariando frontalmente os pronunciamentos públicos do respectivo líder, auto - exilado em Nampula, que agora directamente ou através do respectivo porta - voz se justificará, dizendo que existe democracia interna no Partido para esconder ou minimizar a cada vez maior desorganização e falta de liderança que por lá reina. O desafio dos 51 Deputados da Renamo começará por encontrar um Chefe da Bancada, que satisfaça o líder e os próprios Deputados e depois o mais difícil, nos próximos 2 ou 3 anos, identificar quem será o candidato presidencial da Renamo em 2014, pois o actual, que perdeu por margens gradualmente sempre maiores, as (4) quatro eleições anteriores já não serve mesmo para mais nada, excepto juntar - se na reforma da política activa, ao poeta guerrilheiro da Frelimo, que em uma cerimónia oficial lhe recusou um aperto protocolar de mão, por ainda considerar o líder da Renamo um “bandido armado”.
A outra expectativa diz respeito ao Movimento Democrático de Moçambique (MDM), onde em 28 de Outobro de 2009, 152.836 eleitores moçambicanos em 4 círculos eleitorais, elegeram 8 Deputados, facto inédito na bi - polarização partidária, que tem caracterizado a Assembleia da República desde o Acordo de Paz, mas o Regimento da magna casa não lhes permite formar bancada, uma vez que estipula um minímo de 11 Deputados. Traduzido em “miúdos” a não existência de bancada significa que nenhum dos Deputados deste partido pode pedir para falar no pódio da Assembleia, não terão qualquer sala de trabalho no edifício da Assembleia, não podem pertencer a nenhuma das oito comissões especializadas existentes e muito menos à Comissão Permanente. Quanto à atribuição dos fundos de compensação aos partidos com representatividade na Assembleia, esta é calculada com base na representatividade “per capita” do partido, e não em função de estar organizado ou não em bancada. Por isso o MDM deverá receber fundos equivalentes aos 8 deputados que elegeu na presente VII Legislatura da Assembleia, mesmo não possuindo bancada. Tem ainda direito a salário, ao assento e demais regalias atinentes ao estatuto de simples Deputado. Quanto a “voz” os Deputados do MDM só terão direito a dois minutos no plenário para se pronunciarem durante o debate das matérias, isso se o total do tempo atribuído aos 250 deputados, fôr de 60 minutos – como tem sido habitualmente. Caso o tempo para debate em plenário seja de 30 minutos, os Deputados do MDM terão apenas 1 minuto para falar. Isto acontece em função da representatividade de cada Partido na Assembleia onde o MDM, que possui apenas 8 deputados, contra 191 da Frelimo e 51 da Renamo. Esta divisão do tempo, nada tem a ver com a constituição ou não em bancada na Assembleia, mas apenas estritamente a representatividade dos partidos neste orgão. O Deputado Lutero Simango, que nessa base foi concedido um minuto na plenária da Sessão Extraordinária, ora realizada, indicou que o partido requereu à presidência do órgão legislativo, no dia 13 Janeiro de 2010, a sua constituição em bancada parlamentar, estando até ao momento a aguardar da decisão sobre a petição que fundamenta o pedido com a necessidade de dar corpo ao voto dos eleitores, e da AR ser mais participativa, abrangente e inclusiva. Sobre esta matéria, a Constituição da República de Moçambique indica, no parágrafo n0 1 do Artigo 196, que os Deputados eleitos por cada partido podem constituir bancada parlamentar, e no parágrafo n0 2 do mesmo Artigo refere que a constituição e organização da bancada são fixadas no Regimento da Assembleia da República. A Constituição não especifica com quantos assentos um partido deve ou pode ter para formar uma bancada, mas o Regimento da Assembleia estabelece um mínimo de 11 deputados para o efeito. O que é suficiente para dividir as opiniões de constitucionalistas, advogados e juristas da praça que consoante o sentido das respectivas preferências partidárias assumidas públicamente ou não, indicam que uma e outra opção são legais. Assim sendo os 8 Deputados do MDM estão acantonados na Assembleia da República apenas de corpo presente, sendo por isso muito difícil defender o o interesse dos seus eleitores na fiscalização da governação e outras actividades próprias dos Deputados, no momento em que parece muito remota a possibilidade da bancada da Frelimo viabilizar com votos suficientes a alteração do Regimento da Assembleia, conforme opinião expressa pela Presidente do orgão, ou o pedido do Presidente do MDM ao Presidente da Frelimo no almoço que este último ofereceu aos outros candidatos perdedores das presidenciais, ser concedido.
Se é verdade, como defendem analistas de eleições, que a corrida eleitoral para a eleição seguinte começa quando a anterior é ganha, então fica por demais evidente que será do interesse imediato sobretudo da Frelimo, mas também da Renamo, para até 2014, impedir que o MDM tenha muitos minutos de “voz” , na Assembleia da República, para evitar definitivamente ao longo da legislatura as intervenções eventualmente contudentes, dos seus Deputados transmitida por vezes em directo no canal público e da própria Assembleia ainda em materialização, que os Deputados do MDM possam fazer aos Orçamentos, Conta do Estado e outra legislação que o governo ou assembleia queira, tenha, necessite ou seja obrigado por lei a aprovar. Afinal, este plano de “silenciar” legalmente o MDM na Assembleia da República, começou muito antes das eleições quando projecções indicavam de que constituia uma ameaça aos 2/3 que a Frelimo na altura tinha como objectivo atingir e atingiu, pelo que certamente não irá entregar em um “bandeja” a victória árduamente conseguida, mais fraude menos fraude, à concorrência.
Observador Atento