
A construção de qualquer tipo de infra estructura em um país como Moçambique, é óbviamente, em termos gerais, muito bem vinda, contudo dado os escassos recursos financeiros disponíveis é necessário priorizá - los, usando os critérios mais adequados para tornar mais eficientes os investimentos para os respectivos investidores, sejam eles Estado ou privado, nacional ou estrangeiro. Contudo os acontecimentos no terreno dão a indicação que o Governo Moçambicano do dia, não parece estar a gerir os critérios de investimento, muito bem. Senão vejamos no princípio da legislatura anterior (2005 a 2009) apostou - se na construção de um estádio nacional e de um novo aeroporto para a cidade de Maputo como componentes essenciais de um programa de boas vindas aos potenciais turistas do Campeonato Mundial de Futebol de 2010, no país vizinho, que eventualmente decidissem por aqui dar umas voltas. Com financiamento chinês, nem uma nem outra das mencionadas infra - estructuras, estão prontas, a menos de 30 dias do início da aludida competição, nem nenhuma das 32 selecções que nele vão participar, escolheu Moçambique (incluíndo a de Portugal que é dirigida por um cidadão nascido em Moçambique) para pré estagiar, nem tão pouco a cidade apresenta um aspecto limpo, uma vez que resíduos sólidos gerados pela vivência normal das pessoas, continuam espalhados nas ruas tantos urbanas como periféricas, devido a um ineficiente sistema de recolha de lixo, apesar de os residentes pagarem uma taxa de recolha de lixo, que óbviamente é desviada pelo próprio Conselho Municipal para outros fins, à revelia dos municípes. Entretanto as infra estructuras antigas como a rede de esgotos, estradas, ruas, passeios e outras continuam a deteriorar - se, faltando apenas saber quando é que um dos prédios de mais ou menos de 10 andares, com fundações e vigas corroídas pelas infiltrações tanto de água limpa como negra das próprias tubagens, irá ruir com os residentes e visitantes no seu interior, uma vez que a manutenção períodica a estas infra - estructuras continuam a ser sistemáticamente ignoradas pelas autoridades competentes.
Na presente legislatura (2010 a 2014) apesar de tão clamorosas falhas de planeamento dos exemplos citados e na sequência de recente visita oficial de Guebuza a Portugal, ficamos a saber que será Portugal a ajudar a financiar a construção da Vila Olímpica (1028 Apartamentos do tipo 3, área de lazer, supermercado etc.) e a construção da ponte ligando Maputo à Catembe. Só que nas semanas que se seguiram à visita a economia portuguesa perdeu muita da sua credibilidade internacional, e foi obrigada a alinhar com outros parceiros da zona Euro para salvar a moeda única depois de em anos anteriores os governos da Grécia, Espanha, Portugal e outros terem acumulado grandes défices orçamentais, acima dos acordados 3% na União Europeia, por terem dado a consumir aos respectivos cidadãos, aquilo que não deviam ter dado, através de empréstimos internacionais que contraíram e que agora tem de ser pagos e outras despesas. No passado sem Euro moeda única, este tipo de situação seria resolvida com uma desvalorização do Escudo, Dracma ou Peseta, mas agora “Madame Merkel” e “Monsieur Sarkozy” impediram que se fizesse o mesmo ao Euro, pelo que os cidadãos dos países com défices mais elevados terão mesmo de devolver aos respectivos Estados, sob a forma de aumento de impostos do lado da receita ou contenção rigorosa dos gastos do Estado, do lado da despesa, aquilo que não deveriam ter consumido.
A aldeia olimpíca é fruto de um compromisso megalómano, característico da governação guebuziana, que em 2008 ou 2009, decidiu hospedar e organizar os Jogos Pan Africanos a começarem em Setembro de 2011, em substituição da Zâmbia, que abandonou a ideia. Formou - se um Comité Organizador, cujo líder foi precocemente substituído em um processo pouco transparente, fizeram - se inúmeras reuniões, seminários e atribuiu- se perto do Estádio Nacional, ora ainda em construção o terreno para a construção da aldeia olímpica, que Guebuza já visitou em 2010. Quanto ao início das obras está previsto para 1 de Junho de 2010, contra o custo de 144 milhões de dólares americanos a serem financiados pelos Estados português e moçambicano, pelo empreiteiro Mota Engil, uma empresa próxima ao Partido Socialista em Portugal, através da qual muito do financiamento português retornará a Portugal, para além de durante o período de execução da obra haver uns empregos com facilidades tropicais, disponíveis para os membros da tribo de Viriato.
A ponte para a Catembe é um projecto cuja ideia original data do período colonial inspirada na antiga Ponte Salazar, hoje 25 de Abril, que atravessa o Tejo em Lisboa. Se construída, substituirá as actuais ligações precárias, feitas por uma empresa pública já em falência técnica, (Transmaritíma) com barcos para transporte de viaturas e pessoas e dará acesso directo ao outro lado da baía de Maputo, onde actualmente por estrada só se chega depois de percorrer 30 quilómetros, uma vez que o lado de lá da Baía de Maputo é uma península e não uma ilha. Ao presente, a ponte uma vez construída, mais uma vez pela Mota Engil, dará acesso ao local onde foi construído o palácio do Estado, (Praia dos Amores) destinado ao uso de ex - Presidente(s) da República, à futura estrada asfaltada até à Ponta do Ouro, belíssima praia mais Sul - Africana que Moçambicana e ao novo edifício da Assembleia da República e respectiva cidadela parlamentar (para hospedar os Deputados) a construir de raiz e abrirá à especulação imobiliária, uma vasta área à beira - mar, prácticamente virgem, que certamente contribuirá para membros da élite politíco partidária e empresarial que antes e durante a construção da ponte, obtiveram os respectivos DUAT’s (Direito de Uso e Aproveitamento de Terra) por um preço simbólico enriqueçam rápidamente, vendendo - os a interessados, a preço de mercado internacional.
Face à actual situação de ”crise”, na economia portuguesa, derivada de um défice orçamental muito superior ao acordado, que pôem em causa a estabilidade da moeda única, o Euro, com apelos ao patriotismo do partido politíco com maioria relativa de esquerda (PS) calma, do centro direita (PSD), oposição, da direita (CDS-PP) e manifestação de rua e greve mais à esquerda (BE e PCP), a por demais escalpelizada situação da economia portuguesa, pela comunicação social em debates, opiniões de especialistas e reportagens, quer internacional quer portuguesa. Ora bem, sabendo - se que Portugal, Parceiro de Apoio Programático (PAP) do Orçamento do Estado Moçambicano de 2010, (G-19), está já atrasado no desembolso de fundos para cobrir o défice do Orçamento Moçambicano, como país de brandos costumes que é, será que adicionalmente vai ter fundos para financiar a Aldeia Olimpíca antes de 2011? E em data possível de ser adiada, também para a ponte para a Catembe? Têm a palavra os respectivos povos, representados pelos respectivos governos!
Observador Atento

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