Duas cimeiras da Troika uma em Mbabane e outra em Harare e uma maxi cimeira em Johannesburg, onde apenas 5 dos 14 chefes de estado compareceram, todas da SADC deram origem a decisão produzida na última, depois de inúmeras horas de reunião em todas, que acabaram por dar carta branca a Robert Mugabe para formar um governo dito de unidade nacional e de dividir o ministério do interior do zimbabwe por 2 ministros à vez, uma de cada partido nomeadamente Zanu - PF e MDC.
O dito governo de unidade nacional formou - se, titulares respectivos tomaram posse, compraram - se Mercedes - Benz para os novos Ministros, eliminou - se a moeda nacional e substitui - se pelo dólar americano e rand sul africano, começou - se a pagar como forma de salário mensal, 100 dólares americanos a todos os funcionários públicos, independentemente da categoria, por mais bizarro que fosse e o novo primeiro ministro começou a viajar pelas capitais europeias e americana à procura de dinheiro e... levantamento de sanções(com a benção da SADC, note - se) sobre os indivíduos do partido político rival. Tudo em vão! A União Europeia e a nova administração de Washington, desconfiados acerca das “ditas reformas democráticas” do novo governo, (leia - se Mugabe) disseram um claro NÃO, ao levantamento de sanções. E tinham razão o “casamento” entre a Zanu PF e o MDC nem 9 meses durou e Tsvangirai retirou - se do GUN no mês passado por razões que se prendem-se com a nomeação do governador do Banco Central, do Procurador - Geral da República, dos Governadores Provinciais e ainda a detenção de Roy Bennet, um indivíduo de raça branca e Vice-Ministro da Agricultura proposto pelo MDC, acusado de sabotagem e terrorismo, e que ainda tem o julgamento marcado para meados de Novembro de 2009.
A economia moçambicana já de si delapidada pela enorme dívida de energia eléctrica que o Zimbabwe não paga, apesar de continuar a receber energia da “nossa” Cahora Bassa, viu o depauperado tesouro público ainda emprobecer mais, por um diferencial de preço nos combustíveis, cuja factura para pagar será apresentada em 2010, a todos incluíndo aqueles que votaram no partido que vai formar o novo governo que sair desta eleições, depois de uma campanha eleitoral a todos os títulos arrasadora, em termos de custos, mas aparentemente capaz de dar origem a uma maioria absoluta, mais fraude, menos fraude a um partido com mais de 30 anos no poder, o que é inédito em termos de padrões de democracia ocidental, face ao desgaste junto do eleitorado, que os partidos no poder têm. A referida economia, como dizia teve de pagar durante um dia em Maputo, todos os custos inerentes à alimentação, transporte e outros de VIP’s, que a mais uma cimeira da Troika da SADC, se fizeram presentes, para resolver mais um diferendo entre Mugabe e Tsvangirai, que podia ter sido resolvido directamente pelos dois em Harare, se houvesse realmente intenção das duas partes de resolver o diferendo, coisa que parece não existir, pelo menos de uma das partes, a avaliar pelo que as duas têm feito nos úlltimos 12 meses.
No final da reunião todos sairam contentes, pois o “status quo” de ambas as partes não sofreu uma beliscadura, pois Tsvangirai voltou ao governo de unidade nacional e Mugabe ficou de implementar (que realmente não está interessado em implementar) o que falta no acordo nos próximos 30 dias. Como habitualmente a “velha raposa” ganhou mais tempo e credibilidade a nível regional, em um Estado cada vez mais militarizado e menos democrático, com amplamente demonstraram organizações da sociedade civil zimbabweana, que desta vez até se deslocaram a Maputo, para denunciarem públicamente o que realmente se está a passar no terreno, o que é inédito em cimeiras africanas, onde só o que os líderes dizem é que passa nos orgãos da comunicação social.
As duas semanas seguintes a começar em 8 de Novembro de 2009, serão absolumente cruciais, para se saber se a cimeira de Maputo, teve ou não sucesso, sendo na minha opinião o primeiro teste, o julgamento marcado de Roy Bennet. Irá avante ou não?
Observador Atento
domingo, 31 de janeiro de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário