sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

SAÚDE PÚBLICA EM ÁFRICA


De uma maneira geral é um facto geralmente aceite com real, que em muitos países o sistema de saúde pública é manifestamente inferior em qualidade de serviço e atendimento ao sistema de saúde privado. Excepção para os melhoramentos introduzidos em Moçambique nos últimos 5 anos, cujo crédito deve ir para o titular do pelouro ministerial, agora reconduzido graças à popularidade nas camadas mais desfavorecidas da população, apesar de uma liderança draconiana, um pouco anti - doadores, ao herdar uma situação do seu antecessor, hoje Bastonário, caótica que começava nos jardins da maior unidade sanitária do País em Maputo, que não eram cuidados, até à fraca qualidade dos actos médicos, equipamento médico medicamentoso disponível e péssima higiene geral de instalações hospitalares que não mereciam qualquer atenção séria e profissional. E o motivo para que tal aconteça, salvo outras opiniões, tem a ver exactamente com motivação de natureza económica, que começa por pessoal médico paramédico e auxiliar no privado ter maiores salários que no público e termina no nível de equipamento médico existente no sector privado, que muitas vezes (leia - se em Moçambique) usa a custo zero, o equipamento existente no público. Por outro lado os custos de manutenção de um serviço de atendimento médico e medicamentoso, terem uma tendência contínua para cada vez custarem mais, a uma taxa muito superior ao da inflação do País.
Posta a questão nesse pé, não é pois de admirar que quem tem maior possibilidade económica, quer por rendimento próprio ou por direito muitas vezes, de trabalhador de determinada instituição, frequentemente associada à respectiva hierarquia, procure através de seguros de saúde ou até pagando directamente, cuidados de saúde e actos médicos no sector privado, não só no próprio país de origem ou residência, mas também no estrangeiro. Assim há europeus que procuram cuidados médicos em Cuba onde embora não haja sector privado, o público, desde que pague em moeda convertível tem muita qualidade e excelente reputação internacional, Outros procuram nos sector privado na África de Sul e até mais recentemente na India, locais, onde o preço por um determinado acto médico é significativamente mais barato que na Europa e Estados Unidos onde curiosamente os hospitais militares têm melhor equipamento e pessoal a todos os níveis, que os civis.
Posto isto, chegamos à élite político partidária em qualquer país do mundo, em particular em África, onde só para citar como exemplo os líderes de topo, ainda que por arrastamento à medida que se vai descendo a hierarquia político partidária estatal, existem um grande número de cidadãos e respectivos familiares que gozam de assistência médica e medicamentosa no estrangeiro, sem qualquer limite financeiro e que raramente ou nunca usam o sistema de saúde pública ou privada do país a que presidem ou pertencem. José Eduardo dos Santos de Angola vai discreta e periódicamente a Barcelona na Espanha, Mussa Dadis Camará da Guiné - Conakry está em Marrocos e no Bourkina Fasso, depois de levar um tiro na cabeça de um ajudante de campo e Umaru Yar’dua que saiu da Nigéria em Novembro de 2009, com uma dôr no peito, está na Arábia Saudita, com uma pericardite, doença do foro cardíaco, que já sofria quando foi eleito, que parece tê - lo incapacitado em mais de 70% e Malan Bacar Sanhá da Guiné Bissau regressou de Dakar e Paris onde esteve cerca de 3 semanas a tratar doença desconhecida. Por cá, pouco se sabe, deste tipo de viagens de natureza médica, medicamentosa, excepto que a ex - primeira dama que esteve no Brasil, aparentemente para uma cirurgia, em adição a um número sem fim de cidadãos moçambicanos, a expensas de instituições do Estado, públicas ou privadas, que recorrem à África do Sul, ainda hoje um destino de referência global, para tratamento médico, tanto no sector público mas sobretudo privado. Parece ainda, que a formalmente anunciada medida, pelo titular do pelouro ministerial recentemente exonerado, para acabar de vez com a Cliníca Especial nos hospitais públicos, uma aberração de conflito de interesses, equivalente aos representantes do Céu e Inferno se sentarem em uma qualquer cerimónia pública, em qualquer sítio, lado a lado, continua a ser adiada “sine die” ou talvez até o hospital privado Maputo Trauma Center estar operacional, uma vez que nessa altura, se algum VIP político partidário, estatal, público e privado ou seu familiar, fôr acometido de doença súbita ou estiver envolvido em acidente de qualquer tipo, já haverá um local selecionado (quanto vai custar não será relevante) para ser levado, longe da plebe e do mau cheiro que normalmente exala, sobretudo nos hospitais que usa ou tem de usar.
Em suma no continente africano, a regra geral parece ser, pagam - se fortunas em dinheiro a uma minoria de cidadãos e respectivos familiares, para tratamento médico e medicamentoso no estrangeiro, cuja saúde parece ser mais importante que a da maioria, em detrimento de investimentos planeados e financeiramente exequíveis, na Saúde Pública para aumentar a qualidade atendimento e serviços a que TODOS tenham acesso.
“Quo Vadis” África! Em 2013 e ou 2014, em Moçambique, como Moçambicano que sou, e se não finar, votarei no candidato que prometer que ele e respectivos familiares se doentes, ou acidentados, usarão o sistema de saúde de Moçambique. Acho que é a única maneira de TODOS, terem acesso a melhores cuidados e de garantir que o serviço de saúde pública benefecie da prioridade ao nível adequado e seja devidamente potenciado, de acordo com as necessidades dos utilizadores, que é suposto servir.
Observador Atento

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