Mugabe continua a ser o Presidente do Zimbabwe, à frente de um governo dito de unidade nacional (GUN), que funciona a menos de 50% da sua productividade, porque não existem neste processo, mediadores independentes e honestos, para que a crise económica e social que aquele país sofre, e que gerou 4 milhões de refugiados residentes em várias partes do mundo, uma vez que, entre outras coisas, a SADC dirigida pelo bem falante e sempre bem vestido com fatos de marca, Presidente do Conselho de Administração do Standard Bank em Moçambique, onde recebe mais um salário, mais parece um subordinado do poder politíco instituído em Moçambique, que ostensivamente apoia Mugabe, moral, politíca e financeiramente (divída de energia da HCB) que o Secretário Executivo de uma organização regional, o que no mínimo implicaria imparcialidade no tratamento dos assuntos de todos os Estados membros da referida organização, coisa que sem dúvida não acontece no processo de mediação zimbabweano ou não fosse Mugabe um “libertador”.
“Libertadores” (países onde houve lutas de libertação) na SADC apoiam - se todos uns aos outros, e estarão todos no poder garantidamente até 2013/2014, à luz dos resultados dos pleitos eleitorais, mais ou menos justos, ocorridos, incluíndo até o próprio Zuma que antes de ser eleito, fez pronunciamentos públicos contra as politícas aplicadas por Mugabe, mas agora, uma vez no poder, parece acomodar - se à tendência demonstrada pelos seus pares, ao nomear até uma nova equipa de mediadores, desfazendo a do seu antecessor Mbeki, e promovido a assinatura do BIPPA, para aparentemente tentar aumentar o grau de confiança dos investidores estrangeiros no GUN.
O Governo de Unidade Nacional do Zimbabwe, apesar de um pequeno crescimento económico registado (pese o facto de terem eliminado a moeda nacional) em 2009, pouco significativo pois a base de partida é menos de zero, não tem conseguido que a Zanu-PF e o MDC cooperem um com o outro no interesse nacional, preferindo cada um destes partidos continuar a insistir na respectiva agenda politíca que passa por:
- Mugabe recusar - se categóricamente a nomear outro Procurador Geral da República e Governador do Banco Central, por os actuais titulares dos cargos serem seus aliados indiscutíveis como os respectivos “curriculums” provam.
- Mugabe continua a recusar deixar que Roy Bennet (um cidadão de raça branco) tome posse como Vice - Ministro da Agricultura, para além de ainda estar a responder a um processo em tribunal que inclui a acusação de conspirar contra ele.
- Mugabe insiste ainda que a Zanu-PF, cumpriu todas as suas obrigações constantes do acordo de partilha de poder e que o MDC não cumpriu uma vez que as sanções da União Europeia e Estados Unidos contra Mugabe e alguns dos seus correlegionários continuam de pé, uma vez que a governação de Mugabe está longe de inspirar confiança, aqueles países.
- O MDC por sua vez indica que as Leis de segurança do Estado, tem sido aplicadas aos seus membros e simpatizantes de uma maneira selectiva, o que implica perseguições arbitrárias e afins.
Desde que o Governo de Unidade Nacional tomou posse em Fevereiro de 2009, 100 agricultores brancos foram expulsos das suas terras e 150 de outros 300 que ainda estão a trabalhar as respectivas terras, já receberam notificação oficial do Estado para abandoná - las, conforme citou Deon Theron Presidente da Associação de Agricultores do Zimbabwe, acrescentando:
- A atitude do GUN, continua a ser de os agricultores brancos devem abandonar as suas terras.
Desde 2000 até à data 11 milhões de hectares de terra comercial arável foi forçadamente abandonada por quem a trabalhava e entregue a politícos e simpatizantes da Zanu-PF, que nada sabem de exploração comercial de terras. Mais de 80% destas terras antes productivas, não estão agora a produzir de acordo com pesquisas feitas por satélite, por organizações de agricultura internacionais.
Entretanto a na segunda semana de Dezembro de 2009 a empresa suíça Nestlé anunciou a suspensão das suas actividades em uma fábrica de processamento de leite no Zimbabwe, na sequência de um conflito com as autoridades do país. O conflito ocorreu quando o pessoal da fábrica foi obrigado pela polícia zimbabweana a receber um camião tanque de leite fresco, para processamento. Este conflito terá nascido de uma medida preventiva tomada pela multinacional de lacticínios suíça, Nestlé, que suspendeu o abastecimento (matéria - prima) de leite fresco com origem em uma propriedade, cujo titular foi claramente identificado como sendo o próprio Presidente Robert Mugabe,
Finalmente a cereja no topo do bolo que pôe o Governo Sul Africano na situação de “Xeque ao Rei” ocorreu em 24 de Dezembro de 2009, antes da consoada, quando Ray Finaughty cidadão Sul - Africano foi expulso por invasores da sua propriedade em Rusape, onde produzia carne, galinhas e tabaco, que lhe deram simplesmente 3 horas para abandoná - la, refugiando - se em Harare com a sua família.
O Governo Sul - Africano tem agora o dever the proteger os direitos do farmeiro sul - africano nos termos de um acordo recíproco de protecção de investimentos (BIPPA) assinado entre os dois países, com alguma polémica levantada pela Associação Empresarial Sul Africana, em Novembro de 2009, declarou o porta - voz Willie Spies, do “AfriForum” uma organização de protecção dos direitos civis, que nesse sentido requereu ao Ministro Sul - Africano do Comércio e Indústria Rob Davies, a protecção que é devida aos bens e meios de produção de Finaughty, que já esteve várias vezes em tribunais zimbabweanos a tentar defender os seus direitos, apesar de ter cedido algumas partes da sua propriedade em 2007, sendo também um dos 79 proprietários rurais do Zimbabwe, que subscreveu uma queixa ao tribunal da SADC na Namíbia, que emitiu um parecer vinculativo, declarando as ocupações de propriedades rurais, que o Governo do Zimbabwe promovia e ainda promove como ilegais, Óbviamente Mugabe e os seus pares Sul - Africano, Moçambicano, Angolano, Namibiano etc. nunca deram qualquer relevância ou indicação de que como bons membros da SADC deviam cumprir e fazer cumprir tal parecer, do próprio Tribunal da organização.
Face ao aqui brevemente descrito, quem é que aposta a favor do GUN, como solução para a crise zimbabweana, que foi criada por um “Libertador”?
Observador Atento
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
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