Publicado “Magazine Independente” Ano IV no 237 Página 20 de 19/10/2011
Começou há muitos anos atrás, quando Portugal deixou o Escudo e juntamente com outros 16 países aderiu ao Euro, cujas notas e moedas começaram a circular em 1 de Janeiro de 2002. A moeda gerida pelo Banco Central Europeu localizado em Frankfurt na Alemanha e pelo Sistema Euro que são na práctica os bancos centrais dos 17 países da zona Euro (Aústria, Bélgica, Chipre, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Holanda, Portugal, Eslóvaquia, Eslóvenia e Espanha) é responsável pela gestão da moeda que depois do Dólar Americano serve hoje de referência a transações internacionais.
Todos os países pertencentes à Zona Euro, tiveram de em 1992 assinar o Tratado de Maastrich, que obrigava os 17 países a satisfazer requisitos mínimos de controle monetário, orçamental e de boa capacidade de cobrar impostos de uma maneira rigorosa, afim de garantir que a estabilidade internacional da moeda não fosse afectada, ou que um ou mais dos 17 países membros, não tivesse de suportar financeiramente o descontrole de qualquer um ou mais dos mesmos 17 países. Isto é, os governos dos 17 tinham de controlar sobretudo as despesas e as receitas, para que a primeira não seja maior que a segunda, ou se fosse, não deveria exceder anualmente mais de 3% de défice.
Contudo depois de 1 de Janeiro de 2002, apesar dos governos signatários de Maastrich terem “jurado” que cumpririam tais requisitos, uma vez que os mecanismos de fiscalização existiam (Sistema Euro). Alguns dos chamados países periféricos da Zona Euro (leia - se menos desenvolvidos ou menos civilizados ou com miscegenação e multi culturalidade da respectiva população, maior que outros), com uma cultura geral de trabalho menos rigorosa, que os países do Norte da Europa e em uma altura em que o crédito internacional ainda era fácil, os sucessivos governos democráticamente eleitos, sistemáticamente gastaram mais do que recebiam, e pior ainda manipulavam contas e mentiam aos respectivos povos acerca dos défices orçamentais de ano para ano.
Assim, com a justificação de que por causa de questões eleitorais na eleição seguinte, fraca capacidade de cobrar e fiscalizar quem não pagava impostos, benesses, recrutamento e correspondente aumento do número de funcionários públicos completamente desnecessário, subsídios sociais, de desemprego, direitos adquiridos, criação de institutos, fundações, departamentos de natureza pública, executivos autárquicos com elevado número de vereadores, obras não rigorosamente necessárias, regalias exageradas de dirigentes quer do estado quer de empresas públicas de dimensão nacional e autárquica, benefícios exagerados de deputados e governantes quando no activo, incluíndo aqueles que recebem no termo dos respectivos mandatos ou exonerações, reformas elevadas nos termos de regras de reforma especiais só aplicável a determinado nível de dirigentes, e não ao regime geral de reformas, a dívida desses países foi crescendo paulatinamente, até se tornar insustentável.
Quando em 2008 se dá o colapso da economia global com destaque para a economia dos Estados Unidos, na Zona Euro o primeiro a entrar em colapso foi a Irlanda, seguido da Grécia e mais recentemente Portugal. Pacotes de resgate financeiro foram organizados pelo FMI e BCE, mas se a Irlanda parece estar em um limbo, em que não se sabe muito bem se o resgaste financeiro está a dar os resultados esperados, na Grécia tudo indica que o nível de desobediência civil é elevado, quase a roçar a guerra civil declarada, a autoridade do estado está sériamente comprometida e parece não haver em lado nenhum mais dinheiro para injectar naquela economia que o sorve todo, sem qualquer indicativo de recuperação. Quanto a Portugal nesta data as greves gerais e o movimento global dos indignados (que vão afundar a economia) estão agora a começar, mas inevitávelmete vão tornar qualquer recuperação mais difícil.
Pior ainda o Presidente do Banco Europeu, Jean Claude Trichet já admitiu públicamente que a crise da dívida na Zona Euro é sistémica com a Espanha e a Itália (economias não periféricas, mas de peso) a caminho de precisarem também um resgaste financeiro, para o qual não parece haver liquidez de dinheiro disponível.
Concluíndo a EUROPA ESTÁ A RUIR e como disse Obama, os vários governantes europeus hesitam e demonstram cada vez menor capacidade de conter o problema. Será pois de prever que tal evento a acontecer poderá ter impacto negativo em Moçambique, pois alguns dos países da Zona Euro apoiam o Orçamento do Estado em Moçambique directa e anualmente (muitas vezes sem o conhecimento real dos seus próprios cidadãos), pelo que para quebrar o círculo vicioso de dívida, resgaste financeiro que não resulta, greves e protestos de todos os tipos das populações, o que a Europa precisa é uma mudança radical, só possível com uma III Guerra Mundial.
No final desta III Guerra Mundial as dívidas existentes agora, serão consideradas incobráveis e desaparecerão e os sobreviventes, terão emprego (que não têm agora) e algumas necessidades básicas satisfeitas, pois será preciso reconstruir infra - estruturas destruídas pelos bombardeamentos, canhões e mísseis.
PS - O conflito líbio (que não vai acabar tão cedo como parece) pode ser o fósforo, tal como a Invasão da Polónia pela Alemanha em 1939, deu origem ao início da II Guerra Mundial.

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